Sobre Geologia

01/01/2022

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Este site foi criado em 14 de agosto de 2015, com o intuito de ajudar e compartilhar assuntos e temas ligados à Geologia com alunos, professores e entusiastas desta ciência, de forma gratuita, acessível, multimídia e sempre prezando pelo compromisso com a verdade científica e a credibilidade dos nosso trabalho.

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18/08/2019

As Ilhas Galápagos — Geologia
17:070 Comments
As Ilhas Galápagos são um arquipélago pertencente ao Equador, há aproximadamente 1.000 km de sua costa, no Oceano Pacífico, de extrema riqueza em fauna e flora. Devido à essa diversidade, foi foco de estudos muito relevantes para a ciência, sendo centro das pesquisas de Charles Darwin, responsável pela teoria de evolução das espécies e seleção natural, há mais de 180 anos. Trata-se de um Parque Nacional e Patrimônio Natural da Humanidade — e, no artigo de hoje, vamos entender melhor sobre sua formação geológica, que levou à tamanha diversidade natural.

Arquipélago Galápagos. Fonte: http://blog.bonitour.com.br/onde-ficam-as-ilhas-galapagos/

O arquipélago de Galápagos é formado por 58 ilhas, sendo somente 4 delas povoadas, e está localizado na placa tectônica de Nazca. Em tempo geológico, podem ser consideradas novas: segundo a NASA, variam de um a quatro milhões de anos de idade. Sua diversidade de espécies é impressionante: de 5 mil diferentes espécies que habitam nas ilhas, 2 mil são consideradas endêmicas. Ou seja, não podem ser encontradas em outros ambientes no planeta Terra. Segundo a Galapagos Conservacy, uma organização dos Estados Unidos focada na conservação da biodiversidade e ecossistemas do arquipélago sul-americano, 80% das aves terrestres, 97% dos répteis e mamíferos terrestres e mais de 30% das plantas são espécies endêmicas.


Aquipélago de Galápagos visto por imagem de satélite. Foto: NASA/Domínio Público.

O resto do mundo ouviu falar das ilhas do pacífico em 1535, com a chegada de descobridores, aparecendo em mapa pela primeira vez em 1569, por Mercator. No entanto, passou a ser parte do Equador em 1832, sob o nome oficial de Arquipélago do Cólon, tendo sido, inclusive, rota de piratas que se aventuravam pelo Pacífico.
No entanto, as ilhas receberam um foco especial em 1835, quando o cientista Charles Darwin,
Tartaruga Gigante de Galápagos, que deram nome
ao arquipélago. Foto: Galapagos Conservacy/Gerry S. Krauss
visitando quatro das cinquenta e oito ilhas, usou as coletas e informações de plantas e animais para, anos depois, desenvolver sua teoria da evolução, de grande importância para a biologia. Com os ambientes isolados das ilhas, era possível observar como o processo de seleção natural resultava em espécies iguais, com pequenas diferenças que os tornavam propícios a sobrevivência onde viviam, ao longo do tempo.
As ilhas foram consideradas um Parque Nacional em julho de 1959, comemorando 100 anos de publicação do livro de Darwin, A Origem das Espécies, considerando o alto valor ecológico do arquipélago equatoriano. Assim, 97% da área das ilhas foi considerado parte do Parque Nacional Galápagos, cobrindo uma área de aproximadamente 7.970 km², além das reservas marinhas.
Em 1979, o arquipélago foi também declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), com a reserva marinha das ilhas sendo somada em 2001. Isso significa que as dinâmicas geológicas, biológicas, ecológicas, e/ou físicas, etc, do lugar, podem ser consideradas de grande importância pra a ciência, estética, e/ou são excepcionais e únicas, devendo ser conservadas.

Geologia

A origem das ilhas é vulcânica, resultante da ação de um hot spot (ponto quente). Como já abordado no nosso artigo anterior sobre hot spots, tratam-se de pontos do manto da Terra nos quais há um contante bombeamento de magma, ascendendo de lugares profundos do planeta em direção à superfície, em jatos estreitos. É a partir dessas plumas magmáticas que se formam ilhas vulcânicas, no caso da crosta acima do ponto ser oceânica, ou atividade vulcânica intracrustal, caso seja uma crosta terrestre — como é o caso do Parque Nacional Yellowstone.
Ao passo que a crosta oceânica se movimenta sobre o ponto quente, como é o caso da Placa de Nazca, sob as Ilhas Galápagos, os jatos de magma vão dando origem a diversas ilhas, próximas umas das outras, sendo possível observar atividade vulcânica nas porções de terra logo acima do hot spot. O magma é expelido sob a água, nas crostas oceânicas, e a lava se espalha pelo fundo do mar, resfriando muito lentamente. Quando o acúmulo é o suficiente para que as rochas resultantes do resfriamento possam emergir, tornam-se ilhas, crescendo com o passar de centenas de anos.

Processo de formação de ilhas vulcânicas por hot spots. Foto: Modificado de © Galapagos Conservation Trust.

O Hot Spot Galápagos é estimado em 150 km de largura, e está localizado mais a oeste do arquipélago. As ilhas estão localizadas mais a norte da Placa de Nazca, que se movimenta aproximadamente 5 cm por ano pro sudeste, formando ilhas vulcânicas ao passo que a placa avança — desse modo, as ilhas mais próximas do hot spot são mais jovens do que as mais distantes. Cada uma das ilhas foi formada por um único vulcão, com exceção da maior, Ilha Isabela, que conta com cinco vulcões diferentes, segundo o Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional do Equador (IG - EPN).
Vulcão Sierra Negra, Ilha Isabela, e outros vulcões
próximos. Fonte: Instituto Geofísico da Escola
Politécnica Nacional do Equador.
Devido à sua origem vulcânica, nos últimos 200 anos, o arquipélago apresentou mais 50 erupções.
Uma das erupções mais recentes foi na Ilha Isabela, no ano de 2018, acompanhada de atividade sísmica, do vulcão Sierra Negra. Trata-se de um vulcão em formato de escudo, com uma altitude de 1.124 m, e o derrame de lava se dirigiu à noroeste da caldeira, segundo a direção do Parque Nacional.
Seu formato tem associação com a própria composição do magma: sendo um afluente de magma em crosta oceânica, a tendência é que apresente uma composição basáltica, com proporção menor de sílica (SiO) e, por consequência, menos viscoso. Segundo o Dicionário Geológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), trata-se de um "vulcão caracterizado pela efusão de material magmático basáltico muito fluido que origina uma estrutura de derrames de lava partir da cratera em cone amplo com baixos ângulos topográficos (2° a 8°)." (Winge, M.). Segundo o Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional do Equador, o vulcão possui uma caldeira de aproximadamente 7 x 10,5 km, sendo a maior do arquipélago e uma das maiores do mundo.

Vulcão Sierra Negra, na Ilha Isabela, entrou em erupção em 2018. Foto: Galapagos Park.

Além da erupção mais recente, a ilha experienciou outra atividade vulcânica significativa, em 2015, com o vulcão Wolf, na extremidade oposta à do Sierra Negra. Segundo a NASA, trata-se do vulcão mais alto do arquipélago, elevado a 1710 m acima do nível do mar, que não entrava em erupção há 33 anos. Cinzas e gases foram atirados 15 km de altura, e o magma rico em enxofre fluiu pelas laterais do cone, para leste e nordeste, até alcançar o oceano. De acordo com relatório do IG - EPN, a emissão de dióxido de enxofre foi de, em média, 40.600 toneladas por dia, de 25 de maio a 2 de junho de 2015. A caldeira do vulcão Wolf, apesar de não tão ampla quanto à do Sierra Negra, possui 7 km de largura, e seu cone tem aproximadamente 700m de profundidade. 

Estimativa do afluente de lava na erupção do vulcão Wolf, em 2015. Base em imagens do Google Earth. Fonte: IG - EPN.

Conclusão

O Arquipélago de Galápagos foi descrito como um do lugares mais únicos, cientificamente importantes e biologicamente impressionantes do mundo (UNESCO, 2001). Suas riquezas naturais, por diversos anos, se mostraram de grande importância não só para a ciência, mas inclusive o lazer, cultura, preservação ambiental e sustentabilidade. Através da preservação e estudo de áreas como essa, pudemos avançar em pesquisas de todos os tipos, catalogar e proteger espécies endêmicas, entender melhor processos de formação de ilhas e vulcões, entre todos os outros aspectos que fizeram de Galápagos um Patrimônio Natural da Humanidade.


Referências

https://www.usgs.gov/media/videos/image-week-galapagos-islands
https://www.galapagos.org/about_galapagos/about-galapagos/history/geologic-history/
https://www.galapagos.org/about_us/about-us/mission-history/
https://www.galapagos.org/about_galapagos/about-galapagos/biodiversity/
https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2018/12/galapagos-e-laboratorio-vivo-a-ser-descoberto-na-terra-e-no-mar.shtml
http://www.galapagos.gob.ec/en/national-park/
http://www.discoveringgalapagos.org.uk/discover/geographical-processes/location-formation/hot-spots-volcanoes/
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/vulcao_escudo.htm
https://volcano.si.edu/volcano.cfm?vn=353050
https://www.nasa.gov/image-feature/eruption-of-wolf-volcano-galapagos-islands
https://volcano.si.edu/volcano.cfm?vn=353020


Artigo escrito por Isabela Rosario

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11/08/2019

Geomorfologia do litoral brasileiro
21:330 Comments
Segundo o censo de 2010 do IBGE, 26,6% dos brasileiros vivem na costa do país. Esse fenômeno pode ser explicado a partir da colonização, já que a ocupação se iniciou no litoral e somente depois foi iniciada a ocupação da porção interiorana. Além disso, o litoral brasileiro é 16° maior do mundo, com uma extensão de 7.491 quilômetros. A partir dessas informações, é possível perceber que o litoral brasileiro é de extrema importância nos campos econômico, social, ambiental e, também, geomorfológico. O estudo da geomorfologia costeira é essencial para a compreensão do contexto geomorfológico do nosso país e, por isso,  no artigo de hoje serão esclarecidos alguns conceitos básicos de geomorfologia costeira, assim como contexto brasileiro será aprofundado.
Praia de Copacabana no Rio de Janeiro: Exemplo de região costeira altamente urbanizada. Fonte: Booking.com.

Introdução
Existem muitos processos responsáveis pela gênese de feições costeira, podendo estar relacionados à uma dinâmica global ( como é o caso da tectônica de placas), clima atual e paleoclima, às mudanças no nível do mar — ou à uma dinâmica costeira — como as ondas, correntes litorâneas, regime de marés e vento, atuando no regime de maré e no transporte de sedimentos (VILLWOCK et al. 2005).

Conceitos
O contato entre o oceano e terra pode ocorrer de forma brusca, por um obstáculo rígido, como falésias em rochas cristalinas ou sedimentares, ou por meio de um material móvel e, por vezes, permeável, como sedimentos arenosos e argilo-siltosos. No segundo caso de contato, ela pode ser classificada como terraço, o que significa que sua escarpa é mais elevada, ou como cordão/barreira, quando sua extensão lateral é muito maior que sua largura.
As ilhas barreira são cordões arenosos localizados à frente da costa, que não possuem qualquer ligação de suas extremidades com a terra firme. Hoje, feições como essa não são encontradas no Brasil, porém há 5.100 anos AP, no máximo transgressivo marinho, elas podiam ser encontradas. Já os cordões litorâneos possuem as duas extremidades ligadas a terra firme. Quando apenas uma de suas extremidades está ligada a terra, a feição é chamada de Pontal.

Ria Formosa em Portugal (exemplo de ilha barreira). Fonte: Geocaching.
As planícies costeiras são feições caracterizadas por serem relativamente planas, baixas, junto ao mar e resultantes da deposição de sedimentos marinhos e fluviais. No Brasil, essas planícies são mais alargadas na região Norte, devido às descargas sedimentares do rio Amazonas, ou por deltas (para ler mais sobre deltas, clique aqui) de outros rios. Nas porções nordeste a sul, as planícies são mais estreitas, sendo limitadas pelos tabuleiros costeiros da formação Barreiras ou pelas escarpas cristalinas da Serra do Mar.
Praia pode ser definido como um depósito sedimentar majoritariamente composto por areia, acumulado por ação das ondas e que tem mobilidade o suficiente para se ajustar às condições de ondas e maré.
O ambiente costeiro também propicia à formação de depósitos eólicos: as dunas. Elas ocorrem em locais onde a velocidade do vento e a disponibilidade de areia com granulometria fina sejam propícios ao transporte eólico (para ler mais sobre dunas clique aqui).


Litoral brasileiro e seus macrocompartimentos
O geógrafo Dieter Muehe foi o responsável por separar a costa brasileira em macrocompartimentos de acordo com suas características geomorfológicas. Para elaborar tais divisões, Muehe utilizou como base as subdivisões feitas anteriormente por Silveira (1964). Os macrocompartimentos estão inseridos nas regiões geográficas Norte, Nordeste, Leste ou Oriental, Sudeste e Sul, que não coincidem com as delimitações das regiões brasileiras.
Devido à extensão de conteúdo dos macrocompartimentos, esse artigo se aterá às características gerais de cada região e, em alguns casos, nas principais distinções entre macrocompartimentos.
Macrocompartimentos costeiros (MUEHE). Fonte: Geomorfologia do Brasil.

Norte
A região Norte, em geral, pode ser caracterizada pela enorme influência do rio Amazonas. Isso faz com que sua plataforma continental seja larga, recoberta por sedimentos lamosos e com grande quantidade de água doce. Com extensão do extremo norte do Amapá até o golfão Maranhense, a região Norte é subdividida em três macrocompartimentos: Litoral do Amapá (1), Golfão Amazônico (2) e Litoral das Reentrâncias Pará-Maranhão (3).

Nordeste
Lençóis maranhenses. Fonte: Julius Dadalti.
A região Nordeste se estende da baía de São Marcos à baía de Todos os Santos. Ela possui dois grandes grupos que divergem, principalmente, quanto ao índice pluviométrico: a costa semi-árida (pouca chuva) e a costa dos Tabuleiros (muita chuva). Eles, por sua vez, são subdivididos nos macrocompartimentos Costa semi-árida Norte (4), Costa semi-árida Sul (5),  Costa dos Tabuleiros Norte (6), Costa dos Tabuleiros Centro (7) e Costa dos Tabuleiros Sul (8). Em geral, eles apresentam características similares como uma estreita planície costeira devido aos Tabuleiros Costeiros (unidade geomorfológica com relevo de topo plano esculpido em sedimentos pouco ou não consolidados, com altitudes relativamente baixas e terminações abruptas em forma de falésias) da Formação Barreiras, formação que ocorre desde o Amazonas até o Rio de Janeiro  (ALHEIROS et al, 1988) caracterizada por sedimentos de origem marinha e fluvial (ARAI, 2006), pouco ou não consolidados e mal selecionados (VILAS BOAS, 1996; VILAS BOAS; SAMPAIO; PEREIRA, 2001). Uma feição morfológica característica da Costa semi-árida Norte são os campos de Dunas dos Lençóis Maranhenses.

Leste ou Oriental
A costa Oriental ou Leste se estende de Salvador a Cabo Frio. É dividido nos macrocompartimentos Litoral de Estuários (9), Banco Royal Charlotte e Abrolhos (10), Embaiamento de Tubarão (11) e Bacia de Campos (12). Ela é geomorfologicamente similar a região Nordeste, principalmente por conta da presença dos tabuleiros costeiros, porém a Formação Barreiras se encontra descontínua e substituído pelo embasamento pré-cambriano entre o recôncavo baiano e Ilhéus.
Exemplo de tabuleiros costeiros no Ceará. Fonte: Minube.
Região Sudeste
A extensão do litoral da região Sudeste vai de Cabo Frio ao Cabo Santa Marta, em Santa Catarina. Ela é caracterizada pela proximidade da encosta da Serra do Mar, uma grande estrutura orogenética composta pelas mais variadas rochas metamórficas — xistos, gnaisses, migmatitos e granulitos são alguns exemplos. Essa serra, em alguns pontos, chega diretamente ao oceano. A orientação das estruturas da Serra são na direção NE-SW (nordeste-sudoeste) em divergência a orientação E-W (leste-oeste) do litoral. Ela é subdividida nos seguintes macrocompartimentos: Litoral dos Cordões Litorâneos (13), Litoral das Escarpas Norte (14), Litoral das Planícies Costeiras e Estuários (15), Litoral das Escarpas Cristalinas Sul (16) e Litoral das Planícies Litorâneas de Santa Catarina (17).

Região Sul
A extensão do Litoral Sul vai do cabo de Santa Marta até o município de Chuí. Suas principais características são a linha de costa retilinizada e monótona, sucessões de cordões litorâneos, recoberto por dunas e lagunas (como a lagoa dos Patos e a lagoa Mirim). É dividida em dois macrocompartimentos pelo município de Torres: Litoral Retificado do Norte (18) e o Litoral dos Sistemas Laguna-Barreira do Rio Grande do Sul (19). A porção mais a norte é caracterizada pela estreita planície costeira e a presença da escarpa da Serra Geral, já a porção mais a Sul é caracterizada a planície é mais larga e há a presença do Escudo Rio-Grandense e Uruguaio.

Conclusão
O texto tratou de conceitos básicos da geomorfologia litorânea, assim como descreveu as feições características encontradas na costa brasileira. A partir do que foi explorado, é possível concluir que esse assunto envolve não só aspectos geomorfológicos, como também geográficos, geológicos, climáticos, entre outros. É essencial que esse assunto seja estudado para a preservação das características do litoral brasileiro, que é muito diverso e rico em geologia, flora, fauna e potencial turístico.

Referências
ALMEIDA, Fernando Flávio Marques de; CARNEIRO, Celso Dal Ré. Origem e Evolução da Serra do Mar. Revista Brasileira de Geociências. Junho de 1998.
CUNHA, Sandra Baptista da; GUERRA, Antonio José Teixeira. Geomorfologia do Brasil.  7a edição.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
TORRES, Fillipe Tamiozzo Pereira. Introdução à geomorfologia. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
GUERRA, Antonio José Teixeira; CUNHA, Sandra Baptista da. Geomorfologia: Uma Atualização de Bases e Conceitos. 10a edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
Manual técnico em Geomorfologia (2ª edição). IBGE. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66620.pdf
https://www.geocaching.com/geocache/GC79QXA_ria-formosa-ilhas-barreira

Escrito por Isabel Schulz e revisado por Isabela Rosário

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04/08/2019

A separação Brasil-África: dinâmica terrestre e a ruptura do Gondwana
15:300 Comments
Quando estudamos o mapa-mundi em geografia, é comum entender o planeta terra como um gigantesco quebra-cabeças, onde os continentes executam o papel de das peças. E, neste jogo, podemos perceber como a América do Sul se encaixa com o Oeste Africano. A Geologia nos permite entender como se deu o processo que separou os dois continentes, a partir de uma densa investigação que nos leva a uma compreensão da dinâmica terrestre e da história do nosso planeta.

Ao introduzir dinâmica interna terrestre, é importante falar do Ciclo de Wilson e a Teoria da Deriva Continental, a fim de entender que o nosso planeta é vivo, e que as denominadas placas tectônicas estão em movimento, completando as fases do Ciclo e expressando sua constante renovação. O planeta terra é diferenciado e contém uma estrutura dita em “camadas”, a qual temos núcleo (interno e externo) — endosfera — ; manto inferior — mesosfera — ; manto superior — astenosfera — ; e a litosfera, sendo esta é a base do nosso conhecimento em estrutura terrestre. Mas será só isso? Como geocientistas, entender o planeta como ele é, como ele funciona e como nasceu, são questões que se tornam extremamente importantes para todo o nosso trabalho, pois a Terra é nosso objeto de estudo.



As Teorias-base para o entendimento da Dinâmica Interna Terrestre

A denominada Teoria da Deriva Continental foi formulada em 1913 pelo geólogo alemão Alfred Wegener, e seu postulado parte exatamente do ponto já mencionado anteriormente: os continentes têm formatos que nos possibilitam visualizar um encaixe prévio. Assim, foi o primeiro a citar o "primeiro" e mais conhecido supercontinente: Pangéia. Segundo Wegener, o Pangeia teria se rompido em dois grandes blocos continentais: Laurásia ao norte, e Gondwana ao sul. Para defender sua teoria, Wegener buscou comprovar que as rochas presentes nas bordas dos continentes eram compatíveis em idades e composição. Com isso, foi realizado o estudo de fósseis das áreas e a análise das formações rochosas.
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A teoria foi aceita pela comunidade científica e se tornou base para a formulação da Teoria da Tectônica de Placas em 1950, e agrega e abrange o conhecimento de diversos geocientistas.
Nesta década, estudos geofísicos são realizados de modo em que são descobertas evidências magnéticas e a topografia submarina da área, despertando o interesse sobre as forças geradas pelas correntes de convecção do manto, responsável por movimentar a litosfera.
 A partir do compilado de conhecimento prévio, a teoria da Tectônica de Placas diz que a crosta é constituída de placas que flutuam sobre o manto, esta abrange o entendimento sobre as falhas, as junções entre as placas, as dorsais meso oceânicas, assim como sobre os tremores de terra e abalos sísmicos que se relacionam como movimentação e atrito entre placas. Os continentes se encontram sob essas placas que flutuam e derivam o processo, por isso a expressão “ Deriva Continental”, para mais informações, leia nosso artigo: Deriva Continental.


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Já temos um artigo sobre o Ciclo de Wilson (Ciclo de Wilson), mas para entender rapidamente o processo, podemos resumir que o ciclo se trata de um processo constante de abertura (formação), desenvolvimento e  fechamento de Oceanos, é uma teoria que surge em 1960 e leva o nome do cientista que a formulou. Esta se relaciona diretamente com as teorias que a precede, as Teorias da Deriva continental e Tectônica de Placas, respectivamente.


O Gondwana
Imagem relacionada


Nesta dança constante dos continentes, atualmente entendemos o que o planeta já passou por fases em que se formaram supercontinentes. Cientistas denominaram Gondwana o supercontinente que continha a América do Sul, África, Austrália, Índia, península Arábica e Antártida, há cerca de meio bilhão de anos atrás. A investigação se deu com um grupo de investigadores que trabalharam numa intensa busca para encontrar em ambos os continentes o que seriam as peças que seriam os encaixes desse grande quebra-cabeças, principalmente de cunho geológico. Essas “peças” incluem análises das porções rochosas, análises dos campos magnéticos e gravitacionais das áreas, pois cada região do planeta possui sua própria “assinatura”. Como a massa terrestre não está igualmente distribuída pelo planeta, determinadas rochas refletem tal característica devido à sua composição, e esta é usada para calcular o campo gravitacional terrestre. Com estudos geofísicos da área, cientistas puderam analisar através de cálculos o que havia em subsolo, possibilitando assim uma comparação entre as rochas existentes nos locais de estudos.

A formação do Gondwana teria se iniciado no período final do Neoproterozoico, quando este agregou massa e blocos provenientes da fragmentação do supercontinente que o antecedeu: Rodínia. Sua formação está inclusa no último estágio de colagens continentais denominado Evento Brasiliano/ Pan-Africano (600 Ma), evento que gerou a abertura do Oceano Atlântico Sul.
O Gondwana teria permanecido em quietude tectônica até o Neojurássico, quando surgem os primeiros esforços trativos até seu rifteamento no Juro-Cretáceo. A denominada fragmentação do Gondwana Ocidental (América do Sul e África) se inicia no Neotriássico, por meio de uma reativação predominantemente distensiva, a qual se torna o pontapé inicial para os sistemas de riftes, que bordejam tanto a margem do Atlântico Sul, como continente adentro. O rifteamento deixa "cicatrizes" na crosta terrestre, e estas podem ser falhas, fraturas e a abertura de bacias, incluindo as principais Bacias Sedimentares Brasileiras, as Bacias Sedimentares Cretáceas. O período de separação Brasil-África, além das já citadas estruturas, deixou como o maior registro desse evento uma série de derrames vulcânicos paleocênicos/eocênicos, como basaltos toleíticos que acabaram por formar o Banco de Abrolhos e o Derrame Basáltico da Bacia do Paraná (um dos maiores do mundo).

Conclusão:

A separação do Brasil e da África se resume em um processo longo, que se divide em diversas fases, e os registros deixados ao longo do processo são encontrados e interpretados com o fim de gerar um entendimento geral sobre a temática. Com isso, são exigidos conhecimentos acerca da dinâmica interna terrestre e suas teorias-base. O Gondwana foi o supercontinente que agregou diversos países, ou continentes que conhecemos hoje com blocos individualizados, e o evento que o desagregou e sua natureza, são de extrema importância para o entendimento do processo como um todo.


Referências:
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/gondwana.htm
FREITAS, Anderson Ferreira Damasceno de.et al, BACIA DE SANTOS:
Estado da arte. 2006. 114f. Tese – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
CRUZ, Liliane Rabello, et al, Regime distensional: Evolução tectônica e estruturas
associadas nas bacias de Pelotas, Santos, Campos e
Espírito. 2007. 112f. Monografia - Universidade do Estado do Rio de Janeiro  Rio de Janeiro, 2007. 

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