Sobre Geologia

01/01/2022

Bem Vindos ao Sobre Geologia!
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Este site foi criado em 14 de agosto de 2015, com o intuito de ajudar e compartilhar assuntos e temas ligados à Geologia com alunos, professores e entusiastas desta ciência, de forma gratuita, acessível, multimídia e sempre prezando pelo compromisso com a verdade científica e a credibilidade dos nosso trabalho.

Hoje o 'SG' é parceiro da Sociedade Brasileira de Geologia, a SBG.


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17/03/2019

História da Geologia - Uma Breve Introdução
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Modelo Geocêntrico ilustrado por Andreas Cellarius em sua obra Harmonia macrocosmica seu atlas universalis et novus, totius universi creati cosmographiam generalem, et novam exhibens. (1708)

O método científico é comprovado e verdadeiro. Não é perfeito, é apenas o melhor que temos. Abandoná-lo, junto com seus protocolos céticos, é o caminho para uma idade das trevas.
Carl Sagan

Iniciando esse artigo com uma célebre frase de um dos maiores cientistas do século XX, o Sobre Geologia inaugura uma série de artigos acerca da História da Geologia. Porém, você pode estar se perguntando qual a importância de se estudar a história de uma ciência? A resposta pode ser encontrada na citação acima: o método científico não é perfeito. Ou seja, isso significa que mesmo que muitos pensem que a ciência seja algo estático, que se utiliza somente de teorias produzidas à milênios atrás, na verdade ela se renova a cada nova descoberta, e isso pode acontecer com mais frequência do que se imagina. 

O método científico baseia-se na confrontação de hipóteses, mediante uma análise controlada e regada de provas. Caso a hipótese inicial sobreviva durante todos as etapas de experimentação e confrontamentos, ela poderá ser considerada uma teoria, algo muito mais consolidado, porém, sujeito à alterações. Portanto, a ciência pode ser concebida como uma tentativa de explicar a nossa realidade através do questionamento contínuo daquilo que (aparentemente) entendemos ou não, chegando até mesmo a questionar aquilo que parecia ser inquestionável, porque para o espírito científico, tudo que ainda não foi explicado ainda está para ser descoberto.

Nesse esteio, torna-se de grande importância estudar a história da ciência para saber quais foram as teorias que hoje encontram-se ultrapassadas, quais foram os personagens que corroboraram para a ciência como a conhecemos atualmente, porque as teorias são levantadas e derrubadas ou qual a origem das grandes ideias que são utilizadas até hoje, dentre outros pontos.

Portanto, daremos início a essa jornada na série História da Geologia através desse artigo inicial, no qual daremos uma breve abordagem acerca do caminho a ser tomado nessa pesquisa.

Quando Surgiu a Geologia?


Por ser uma ciência natural que estuda o planeta Terra em seus diversos aspectos e escalas, como podemos saber o exato momento em que a geologia surgiu? Essa pergunta nos leva a um esclarescimento muito importante, que irá delinear todo o escopo metodológico dessa série. Iremos a partir de agora discernir dois conceitos: "saber geológico" e "geologia". O saber geológico se trata dos conhecimentos relacionados ao planeta Terra, enquanto que a geologia deve ser entendida como uma ciência natural, respeitando-se o método científico, que foi mencionado no início desse artigo. O olhar de um cientista da Terra deve ser atencioso e imaginar além do que se poder ver, utilizando-se do método científico para construir conhecimento, e não criar suposições infundadas, diferindo-se do saber geológico nesse ponto.

O olhar geológico. Fonte: https://structuralgeo.wordpress.com/2013/11/20/do-you-sketch-in-the-field/

O Saber Geológico


Mapa com a localização de minas antigas na região do Egito.
Fonte: link
O saber geológico existe desde os primóridos da humanidade, quando os povos da antiguidade percebiam, coletavam informações e elaboravam hipóteses acerca do ambiente natural onde estavam inseridos. Povos do norte africano, do mediterrâneo (gregos e romanos), bem como os do oriente próximo (egípcios, sumérios, assírios, babilônicos) e outros, possuem uma história profundamente ligada aos recursos naturais, além de possuírem a forte presença dos elementos naturais em suas crenças e religiões.

Assim, ao longo de sua existência, tais populações reuniram uma série de conhecimentos acerca do ambiente que os cercavam, variando desde simples observações sobre corpos hídricos à interpretações sobre paleoambientes. As atividades minerárias também promoveram o aprofundamento do saber geológico, pois eram fundamentais para o desenvolvimento dessas sociedades, como já foi explicado no artigo introdutório da série #Mineração.


Confira aqui o artigo #Mineração: Uma Breve Introdução






Idade Antiga

As primeiras observações feitas por esses povos baseavam-se em questões lógicas sobre os mecanismos da natureza, a exemplo dos gregos que já no século V a.C, se questionaram acerca da existência de conchas marinhas em regiões distantes do litoral. Heródoto, pensador grego de mesmo período, também havia postulado que a região do Egito teria sido um golfo em eras passadas, pois já havia percebido que a natureza sempre estava em constantes processos de trnasformação, criação e destruição, transporte e deposição.

O 4 elementos propostos por Aristóteles. Fonte: link
Nessa corrente de investigação do saber geológico, um exemplo de grande importância deve ser lembrado. Aristóteles, um dos maiores pensadores e influenciadores da história da humanidade, dedicou-se a entender diversas áreas da sua realidade, variando desde a filosofia natural até a música e poesia, por exemplo. Na área do saber geológico, Aristóteles realizou diversas observações, propondo a divisão dos quatro elementos naturais (água, ar, fogo e terra), bem como o modelo geocêntrico, no qual o planeta Terra estaria localizado no centro do universo.



Aristóteles. Fonte: link
Ele também dizia que os eventos que ocorriam em subsuperfície poderiam ser equiparados a fenômenos meteorológicos. Os terremotos e vulcões seriam como trovões e relâmpagos, enquanto que o encontro entre daumidade da chuva com ventos subterrâneos dariam origem às tempestades. Uma concepção muito relevante proposta por Aristóteles e que perdurou ao longo de séculos até a chegada da renascença, foi acerca dos fósseis. Ele afirmava que essas feições não teriam correlação com seres animais e vegetais, como hoje entendemos, mas sim com características plásticas do próprio planeta.




Idade Média

Até a chegada do Renascimento no século XV, os conhecimentos acerca do planeta Terra eram bastante unificados e padronizados na cultura ocidental durante toda a Idade Média, principalmente pela Igreja Católica. Tais ideias baseiavam-se no princípio geocêntrico, bem como em uma conexão existente entre o planeta Terra e o restante do universo que regia tanto o meio biótico (seres vivos, animais, vegetais), quanto o meio abiótico (minerais, rochas).

Modelo geocêntrico ilustrado por Bartolomeu Velho, 1568.

A saber, as substâncias minerais, por exemplo, seriam regidos e controlados pela ação dos planetas e estrelas. O ferro, por Marte; chumbo, por Saturno; ouro, pelo Sol; gemas, pela "luz cósmica". Além do geocentrismo, o antropocentrismo foi de fundamental importância para consolidar tais relações entre o ser humano e o seu meio externo. As catástrofes naturais como terremotos e erupções vulcânicas eram consideradas como presságios de catástrofes humanas, bem como os minerais e fósseis detinham poderes medicinais que eram estudados nas obras chamadas de "lapidários" e utilizados para finalidades médicas. Ametista, ônix, berilo e hematita eram alguns dos minerais mais reconhecidos nessas utilidades, e logo abaixo há uma figura de um lapidário de diamantes e safiras do século XIII.

Figura do "Livro dos Segredos", Lapidário escrito por Alberto Magnus no século XIII.
Fonte: https://brewminate.com/the-allure-of-gems-and-jewelry-from-the-medieval-to-modern-era/

O resultado dessas associações oriundas do antropocentrismo e geocentrismo são modos de ver o mundo bem diferenciados dos atuais, através de uma concepção vitalista sobre o meio natural. Um exemplo é a gravura de Johann Lorenz Bausch, um escritor alemão do século XVI, que em uma de suas obras chamada Schediasmata Bina Curiosa De Lapide Haematite Et Aetite, assemelha a reprodução humana com a formação de rochas, como é possível observar na imagem abaixo. Assim, a referência humana como elemento principal na construção de saberes é a principal característica do saber geológico na Idade Média.

Ilustração de Bausch. Fonte: https://www.auction.fr/_fr/lot/bausch-johann-lorenz-schediasmata-bina-curiosa-de-lapide-haematite-et-aetite-ad-8812781#.XI5qtShKjIU

O Renascimento

No Renascimento ocorre uma série de mudanças na história humana, como a prensa de Gutemberg, o que facilitou a difusão de informação de maneira bastante intensa, corroborando na redescoberta de vários autores que tinham sido anteriormente banidos pela Igreja Católica. Foi no renascimento que o espírito científico comecou a ser estimulado e valorizado através da influência do Neoplatônismo, deixando a concepção religiosa e espiritual com uma importância muito menor na construção de saberes e no modo de vida das sociedades.

É durante esse período da história que a geologia, enquanto ciência, começa a ser fomentada. A mineralogia, por exemplo, já existia na época e compreendia algumas das áreas que conhecemos atualmente, como petrografia, paleontologia e química. Nela, a definição de um mineral também foi instituido, caracterizando-os em "objetos inanimados de origem natural, geralmente sólidos e, às vezes, líquidos".

A crosta da Terra era concebida como uma mistura de 4 "classes minerais" (terra, metais, sais e substâncias betuminosas) que, por sua vez, eram produtos de diferentes proporções dos quatro elementos naturais propostos por Aristóteles (água, ar, fogo e terra).

A parte interna do planeta foi pensanda de diversas maneiras e com vários modelos explicativos. No livro "Mundus Subterraneus" do jesuíta Athanasius Kircher (Séc. XVII), o interior do planeta seria atravessado por veias que transportariam água (alimentando rios e nascentes) e fogo (alimentando os vulcões).

Modelo do interior da Terra
proposto por Athanasius Kircher.
Fonte: Alamy.
 Você também pode conferir a obra completa no leitor abaixo, ou acessando esse link





Referências


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. e-aulas: Portal de Videoaulas. História da Geologia 1: Da Grécia ao início do séc. XIX. Curso Evolução das Ciências II. Professora Silvia Figueirôa. Disponível em: <http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=214> Acessado em 17/03/2019.

BRANCO, Pércio de Moraes. O Geólogo e a Geologia. CPRM. Disponível em: <http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/O-Geologo-e-a-Geologia-1116.html> Acessado em 15/03/2019.

NSW DPI PRIME FACTS. History of Geology. Disponível em: <https://www.resourcesandenergy.nsw.gov.au/__data/assets/pdf_file/0005/109580/history-of-geology.pdf> Acessado em 15/03/2019.

SÓ HISTÓRIA. Divisões/Períodos da História. Disponível em: <https://www.sohistoria.com.br/ef2/periodos/> Acessado em 15/03/2019.






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10/03/2019

Mulheres nas Geociências - A grande contribuição feminina na ciência
18:001 Comments
No dia 8 de Março de cada ano, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, criado na Europa e Estados Unidos da América pelos séculos XIX e XX, em função das lutas femininas por melhores condições de trabalho, vida e sufrágio. Nesse espírito, essa data deve ser usada não somente de forma simbólica, mas para levantar questões que ainda afetam diretamente a vida das mulheres e suas condições de vida, e chamar atenção para as mensagens e grandes contribuições das mulheres em nossa sociedade mundial.

No artigo colaborativo de hoje, o Sobre Geologia busca chamar atenção para os grandes feitos das mulheres nas geociências, e difundir sua contribuição inegável para a produção de conhecimento e desenvolvimento das técnicas e tecnologias que conhecemos hoje. Um feliz Dia Internacional da Mulher!


Introdução

O dia 8 de março é internacionalmente conhecido como um dia de valorizar as mulheres ao redor do globo, e isso não deve ser diferente na área das geociências. Historicamente, esse dia foi designado por volta do século XX, num momento onde o fervor das lutas pelos direitos das mulheres era muito grande. As péssimas condições de trabalho, associadas aos poucos direitos sociais, como o voto, eclodiram em lutas nas ruas e debates intensos por essa causa. 


Na ciência e nas áreas de pesquisa, por longos anos, mulheres foram excluídas da área de produção científica, tendo de lutar por cargos de poder, para terem suas pesquisas reconhecidas e, muitas vezes, simplesmente pelo direito de estudar e se formar no nível superior. Ainda hoje, persiste o mito de "cursos de homem" e "cursos de mulher", no entanto, a contribuição feminina para a ciência é gritante — porém, muitas vezes, esquecida. 

No espírito desse dia de luta, é importante chamar atenção para as grandes mulheres que ajudaram a construir conhecimentos das geosciências que hoje podemos considerar teorias mundialmente aceitas, ou que ajudaram a avançar em grandes pesquisas. 

A geologia e outras ciências nunca devem ser vistas como "coisas de menino", mas sim como algo para todas as pessoas curiosas, observadoras e dedicadas que querem entender mais sobre o mundo e como ele funciona. 


Marília da Silva Pares Regali - Primeira mulher a trabalhar na Petrobrás



Marília Regali.
Fonte: http://sbgeo.org.br/home/news/353

Marília nasceu em 3 de janeiro de 1930  na cidade Mogi Mirim, localizada no estado de São Paulo. Sua mãe era dona de casa e botânica autodidata, enquanto seu pai trabalhava no Instituto de Agronomia de São Paulo. Os conhecimentos compartilhados por seus pais a levaram a desenvolver um interesse pelas ciências da natureza, particularmente, a geologia.
Anos mais tarde, Marília optou por cursar História Natural na USP, que era muito voltado para às geociências, porém o curso próprio de Geologia ainda não existia na universidade. Em 1957, o curso de Geologia foi criado e Marília estudou durante três anos, sendo então formados em História Natural e Geologia, ambos pela USP.

Em 1960, foi contratada pela Petrobrás, com apenas um ano de formada, tornando-se não só a primeira mulher contratada pela empresa, como também a primeira pessoa formada em geologia a trabalhar lá. Permaneceu a única mulher até 1975. Ela trabalhou 15 anos em Salvador e depois foi transferida para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até se aposentar em 1994.

Marília era impossibilitada de realizar o trabalho de campo porque não existiam instalações próprias para mulheres, então ela se voltou ao trabalho de escritório. Não escolhia trabalhos, fazia o que lhe pediam, dessa forma, aprendendo mais que seus colegas.

O método de trabalho que Marília utilizou nos seus anos de Petrobrás foi o de datação das bacias sedimentares por meio da palinologia, ou seja, analisando o pólen, os esporos, algas. O trabalho de 1970 “Palinologia dos sedimentos mesocenozoicos do Brasil”, escrito por Regali, foi largamente distribuído pelo mundo (Rússia, Estados Unidos, Europa e Japão), contendo informações até então inéditas, que foram muito importantes para estudos da África. Logo, o Brasil se tornou uma referência nesse tipo de datação.
Começou a ensinar na UFRJ em 1990 e, mesmo depois de se aposentar, se manteve ensinando, orientando estudantes e dando palestras por todo o Brasil. Infelizmente, em 1 de junho de 2018, Marília veio a falecer, mas seu legado na geologia não será apagado.

Mary Anning - Uma das maiores paleontólogas do mundo


Retrato de Mary Anning com seu cachorro, Tray, nos 
afloramentos de Lyme Regis, Inglaterra, 1824.

Mary Anning foi uma importante paleontóloga inglesa, por muitos chamada de “uma das maiores da história”, nascida em 21 de Maio de 1799, numa família pobre do litoral da cidade de Lyme Regis, West Dorset, Inglaterra. Pela sua condição financeira e gênero, não pôde avançar na educação formal, tendo que aprender sozinha a ler e escrever.

O pai de Mary, Richard Anning, tinha o costume de coletar e vender fósseis ocasionalmente — e, após sua morte, em 1810, a família Anning herdou dívidas que não poderiam pagar, uma vez que Richard era o provedor. No entanto, mais do que isso, ele deixou para sua família os seus conhecimentos de coletor de fósseis, que eventualmente ajudariam a família a se manter.

Em Lyme Regis, onde viviam, há a presença de muitos morros ricos em fósseis originados dos mares do período Jurássico (199 milhões de anos - 155 milhões de anos). Com seus conhecimentos práticos e curiosidade, Mary e seu irmão (os dois dentre dez filhos que alcançaram a maturidade) coletavam fósseis e vendiam.

No ano de 1820, no entanto, o Tenente Coronel Thomas Birch conheceu os Anning, e simpatizou com sua situação, uma vez que, apesar de suas grandes descobertas científicas, ainda viviam na pobreza e anonimato. Assim, montou um leilão para vender os itens descobertos pela família. Com isso, pelos meados da década de 1820, Mary Anning administrava os negócio de coleta de fósseis da família, e era conhecida por sua grande percepção e conhecimentos práticos na área.

Muitas espécies são hoje expostas em museus sem os devidos créditos à Mary por sua descoberta. Uma das suas maiores descobertas, junto ao seu irmão, é a do primeiro fóssil de Ictiossauro, quando ela tinha entre 10 e 12 anos. Trata-se de uma ordem de répteis marinhos extintos no início do período Triássico Inferior.
The first ichthyosaur Mary Anning found
Primeiro fóssil de Ictiossauro achado pelos irmãos Anning. Fonte: Museu de História Natural da Inglaterra.
Mary também foi responsável pela descoberta do Plesiosauria, outro tipo de réptil marinho. Na época, uma importante anatomista francês, Georges Cuvier, duvidou da legitimidade do espécime encontrado por Anning, analisando seus desenhos detalhados. No entanto, ao concluir que se tratava de um Plesiosauria legítimo, Mary Anning passou a ganhar mais atenção da comunidade científica inglesa.

Apesar de ter sido muito desacreditada, por muitos anos, por uma comunidade científica formada por homens da elite acadêmica inglesa, hoje é possível afirmar que Mary Anning foi uma das maiores paleontólogas, não apenas encontrando espécimes de grande importância, mas as catalogando e desenhando detalhadamente o que achava.
Nas palavras de Lady Harriet Sivester, importante mulher da elite de Londres, que conheceu Anning em 1824, a paleontóloga havia “alcançado o nível de conhecimento no qual já tinha o hábito de escrever e conversar com professores e outros homens com entendimento no assunto, e todos eles aceitavam que ela entendia mais de ciência que qualquer um no reino”. Hoje, independente da validação de outros homens, sabe-se que a contribuição de Anning e sua família foi essencial para a reconstrução paleontológica e geológica, e para a ciência como um todo.

Gerta Keller - Geóloga teórica da extinção dos dinossauros


Geóloga e paleontóloga Gerta Keller. Fonte:
https://owlcation.com/stem/
Exploring-Extinction-An-Interview-with-Gerta-Keller
Gerta Keller é uma geóloga e paleontóloga nascida em 7 de março de 1945, na cidade de Schaan, no pequeno país europeu Liechtenstein, mas cresceu na Suécia. Ela se formou na Universidade Estadual do São Francisco nos Estados Unidos em 1973 e se tornou doutora pela Universidade de Stanford em 1978.

A principal área de pesquisa de Keller são as grandes catástrofes terrestres — como as extinções em massa, impactos de meteoritos, grandes erupções vulcânicas, mudanças climáticas repentinas e acidificação dos oceanos — envolvendo paleontologia, estratigrafia, geoquímica, geocronologia e sedimentologia. Durante sua carreira, já foram publicados mais de 250 trabalhos de sua autoria.

Seu trabalho de maior destaque envolve a extinção em massa do cretáceo-terciário, amplamente conhecida como a extinção dos dinossauros, que ocorreu há 66 milhões de anos atrás. Diferente da teoria do impacto de asteroide proposta por Luis Alvarez em 1980, Gerta acredita que a extinção se deu por uma série de erupções vulcânicas em uma região chamada de “Deccan Traps” na Índia Ocidental. Essa teoria foi elaborada em 1978, porém logo descartada, e, graças a Keller, voltou a ter uma posição de destaque quando ela a estudou a fundo, aprimorando-a.

The Deccan Traps in India today. Photo by Gerta Keller.
Os Deccan Traps, na Índia, nos dias de hoje. Foto por: Gerta Keller.
Muito boicotada pela comunidade científica durante toda a vida, Keller guarda na memória insultos que já recebeu de outros pesquisadores, tenham sido eles vociferados na sua frente ou não. A primeira vez que apresentou sua pesquisa para a comunidade científica foi em 1988, na conferência sobre catástrofes globais, antes mesmo que pudesse explicar sua pesquisa realizada durante três anos em foraminíferos, foi repudiada por gritos como “idiota”, “sem-sentido” e “você não sabe o que está fazendo”.

Apesar de tudo nunca abandonou a pesquisa e a sua convicção, mesmo com a teoria do impacto do asteroide ganhando cada vez mais força, a existência de outra teoria só se deu, basicamente, por conta de seu esforço de mantê-la viva. Atualmente, ela é professora e pesquisadora da Universidade de Princeton, cargo que ocupa desde 1984.


Rosaly Lopes - Cientista brasileira na NASA



Geóloga planetária brasileira, Rosaly Lopes.
Fonte: https://volcanoworld.wordpress.com/
2011/12/19/rosaly-lopes/
Nascida no Rio de Janeiro no dia 8 de janeiro de 1957, Rosaly Lopes é geóloga planetária, vulcanóloga e astrônoma. Atualmente possui tripla nacionalidade (U.S, U.K e BR). Sua carreira profissional inclui grandes feitos como participação no programa Galileo, onde identificou 71 vulcões ativos na superfície de um satélite de Júpiter,  a Lua vulcânica Io, feito que a pôs no Guinness Book of World Records 2006.

Seu gosto pela ciência foi muito influenciado pelo incentivo de outras mulheres de sua família, e como integrava uma família de classe média, a educação para as mulheres de sua família se tornou mais acessível, portanto sua avó - professora- e sua mãe- musicista- com certeza lhe foram grandes exemplos. Porém não havia em sua família uma cientista e seu gosto para com a ciência surgiu com a notícia de um cosmonauta soviético (Yuri Gagarin) que havia se tornado em 1961, quando havia apenas 4 anos, o primeiro ser humano a entrar em órbita, daí surge inicialmente o desejo de se tornar astronauta. Ao analisar seu contexto quanto mulher brasileira, optou pela ciência: Rosaly decidiu ser cientista.


"Poppy Northcutt continua trazendo astronautas
de volta para casa", diz anúncio na revista
TIME, 1969.
O conjunto de missões espaciais coordenadas pela NASA protagonizou entre 1961 e 1971 a famosa corrida espacial para pôr o homem na Lua, e este foi um marco importante para sua decisão da sua carreira científica ligada à pesquisas espaciais. Quando decidiu ingressar na NASA, uma grande influência foi Frances “Poppy” Northcutt, a primeira engenheira a trabalhar no controle de uma missão na NASA (durante a execução da missão Apollo 13).
Mudou-se para Londres em 1975 e formou-se astrônoma em 1978, fez um curso de ciência planetária e quando o Monte Etna explodiu, Rosaly optou por estudar vulcões, na Terra e fora dela.

Quando estava completando o doutorado foi informada de um programa da NASA aberto a estrangeiros, o NASA Postdoctoral Program, que oferecia um pós-doutorado com duração de dois anos. Mesmo com um emprego fixo, Rosaly resolveu arriscar e conseguiu um emprego na NASA, onde trabalhou na missão Galileo.

Capa do livro de Rosaly Lopes,
Turismo de Aventura em Vulcões.
Sua tese de Ph.D em ciência planetária consistiu numa comparação dos vulcanismos ocorridos na Terra e em Marte. Rosaly é especializada em geologia e vulcanismo planetário. Mas também se dedica ao estudo das estruturas geológicas terrestres, ela é autora de diversos livros,  e em Turismo de Aventura em Vulcões se dedica apenas aos vulcões terrestres. Outro grande feito realizado por Rosaly foi de ter se tornado a primeira mulher estrangeira a ser editora chefe da revista científica Icarus, fundada por Carl Sagan.






Inge Lehmann - A cientista que revolucionou a sismologia


Geodesista e sismologista Inge Legmann.
Inge Lehmann (13 de maio de 1888 – 21 de fevereiro de 1993) foi uma geodesista e sismologista dinamarquesa e deixou como legado a descoberta de uma descontinuidade que separa o núcleo interno do núcleo externo – a qual ficou conhecida como descontinuidade de Lehmann – assim como descobriu que eles possuíam consistências diferentes: o núcleo interno era sólido, e o externo, líquido.

Lehmann nasceu em 13 de maio de 1888 em Copenhagen, Dinamarca. Filha do psicólogo Alfred Georg Ludvik Lehmann e Ida Torsleff, dona de casa. Na adolescência frequentou uma escola privada de ideais progressistas, onde meninos e meninas eram tratados igualmente (cursavam as mesmas disciplinas e participavam de atividades esportivas), fundada por Hanna Adler. Na época, meninos e meninas frequentavam escolas distintas. Aos 18 anos, ingressou na faculdade de Copenhagen, onde cursou Matemática. No entanto, somente concluiu o curso aos 32 anos, devido a problemas de saúde.

Em 1923, começou a trabalhar como assistente no departamento atuarial (área de análise de riscos financeiros principalmente para seguros e pensões) da Universidade de Copenhagen. Três anos depois, em 1925, passou a trabalhar como assistente do professor e diretor de um instituto de pesquisas em Geodésia na Dinamarca, Niels Eric Norlud, no setor de Sismologia. Nesse mesmo período, Lehmann começou a se interessar pelo estudo dos sismos e aprendeu que a partir de dados sismológicos era possível compreender a estrutura interna da Terra. Ela também visitou várias estações sísmicas pela Europa, com o objetivo de aprender mais sobre os movimentos da Terra.  


Em 1928, aos 40 anos, concluiu seu mestrado em Geodésia, sendo designada chefe do Departamento de Sismologia do Royal Danish Geodetic Institute, encarregado pela administração dos observatórios sismográficos de Copenhagen, Ivigtut e Scorebysund. Apesar de ocupar um cargo administrativo, Lehmann realizou diversos aperfeiçoamentos no âmbito científico: coordenou as análises de dados sismográficos, gerando assim, conclusões mais confiáveis.
Dados sísmicos obtidos em diferentes estações de um terremoto no México, publicados por Inge Lehmann em 1930. Fonte: https://www.famousscientists.org/ inge-lehmann/


A partir de sua análise das ondas P (primárias, rápidas e propagadas tanto em meios sólidos como em meios líquidos) e dos dados que mostravam sua ocorrência em lugares inusitados, Inge explicou através de seu modelo matemático, que as ondas P eram refratadas e refletidas no limite do núcleo interno da Terra sólido e do núcleo externo, líquido. Essa descoberta contrapôs o modelo anterior, no qual o núcleo terrestre era formado completamente por material fundido. Seu famoso artigo, intitulado “P” sintetizaram suas novas descobertas e seu modelo foi, gradativamente aceito pela comunidade científica, e mais, tarde confirmado, através de avanços tecnológicos.


No ano de 1959, já aposentada e focada na pesquisa científica, Lehmann descobre uma nova descontinuidade no interior terrestre, causadora de um aumento abrupto na velocidade das ondas sísmicas, a Descontinuidade de Lehmann.

Seu último artigo científico foi publicado em 1987, intitulado “Seismology in the Days of Old” e Inge completou 99 anos. Aos 104 anos, faleceu, deixando seus bens para The Danish Company. Nunca se casou ou teve filhos. Em 1997, a American Geophysical Union criou a medalha Inge Lehmann, atribuída a cientistas inovadores nos estudos sobre a Estrutura Interna da Terra, em sua homenagem.

Deborah Enilo Ajakaiye - Primeira professora de física africana

Em 1940, na cidade capital de do Estado Plateau, Jos, na Nigéria, nasce Deborah,  a quinta de um total de seis filhos. Seus pais acreditavam numa educação igualitária entre os sexos, portanto seus filhos de ambos os sexos tiveram acesso à educação. Sua carreira na geofísica inclui grandes feitos, tanto suas contribuições em estudos geofísicos sobre a Nigéria, quanto ao fato de ter sido a primeira professora em toda a África Ocidental a lecionar Física.
Em 1962 é graduada como Bacharel em Física pela University of Ibadan, recebeu seu mestrado pela University of Birmingham na Inglaterra. e em 1970 concluiu seu Ph.D em Geofísica pela Ahmadu Bello University na Nigéria. Apesar de seu interesse inicial ser a Matemática, Enilo optou pela Geofísica pois acreditava que isso poderia trazer contribuições significativas para seu país. E em 1980 Deborah se torna a primeira professora de Física africana, ministrando na Ahmadu Bello University e se tornou reitora de ciências naturais na University of Jos.
Ajakaiye apontou a riqueza nigeriana em diversos aspectos minerais, incluindo urânio, óleo, gás natural e carvão. Seu trabalho geofísico com uma técnica denominada geovisualização tem sido utilizado para encontrar depósitos minerais submarinos Nigerianos. Ela criou também um mapa de gravidade da Nigéria (mapa gravimétrico), resultado de um trabalho árduo feito em parceria com suas alunas. Após sua aposentadoria, Deborah se dedica à obras sociais e caridade, principalmente a Nigéria-base charity, CCWA (Christian Care for Widows, Widowers, the Aged and Orphans) fundado por ela em 1991.
Foi honrada pela Sociedade Nigeriana de Mineração e Geociência (NMGS), se tornando  primeira mulher a receber o prêmio. Também foi a primeira negro-africana a ser nomeada membro da Sociedade Geológica de Londres.
Atualmente, Deborah tem trabalhado em um projeto denominado “Structural Style Project” no delta nigeriano, trabalho feito em parceria com outros cientistas pela Rice University e University of Houston.

Referências
  • http://www.nhm.ac.uk/discover/mary-anning-unsung-hero.html
  • https://ucmp.berkeley.edu/history/anning.htm
  • http://www.figueiradaglete.com.br/mpares59_petrobras_3.html
  • https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2018/09/dinosaur-extinction-debate/56576
  • https://massextinction.princeton.edu/about9/
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosaly_Lopes
  • https://www.bbc.com/portuguese/geral-45947502
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Deborah_Ajakaiye
  • https://museuhe.com.br/2017/10/16/inge-lehman/
  • https://www.cmjornal.pt/tecnologia/detalhe/google_recorda_mulher_que_chegou_ao_centro_da_terra
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Inge_Lehmann
  • https://www.famousscientists.org/inge-lehmann/
  • https://www.britannica.com/biography/Inge-Lehmann
  • http://www.cprm.gov.br/publique/media/sobre/equidade_genero_raca/personagem_inge.pdf
Artigo escrito por Amanda Couto, Isabel Schulz, Isabela Rosario e Letícia Brito. Editado por Rafael Ladeia
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03/03/2019

#Mineração: Noções Básicas – Tipos de Depósitos Minerais
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Geodo de Ágata.

Após discutirmos alguns aspectos básicos das atividades minerárias, suas definições e histórico no artigo inaugural da série #Mineração (clique aqui para ler), abordaremos algumas noções básicas e fundamentais para o entendimeno de qualquer empreendimento minerário. Nesse artigo, falaremos brevemente sobre os principais tipos de depósitos minerais, classificando-os de acordo com sua gênese de formação.

Classificação Genética dos Depósitos Minerais

"Os depósitos minerais resultam da ação de processos geológicos ocmuns, mas o processo que foi dominante na sua geração confere-lhe classificação genética. Assim, tipo genético de depósito mineral correspondem a grupos de depósitos semelhantes."
Bettencourt, Moreschi e Toledo. Decifrando a Terra, 2. Ed. p.520.

De acordo com a conceitualização disposta acima, os depósitos minerais podem ser classificados de acordo com algumas características e agrupados mediantes suas semelhanças e/ou diferenças adquiridas durante sua formação, os quais serão discutidas ao decorrer do artigo.

Depósitos Endógenos X Depósitos Exógenos


Os depósitos podem ser classificados inicialmente em dois grandes grupos. O primeiro se refere àqueles que são oriundos da interface litosfera, hidrosfera, atmosfera e biosfera, denominados por depósitos exógenos. O segundo se trata dos depósitos endógenos, os quais são formados através das ocorrências intracrustais, como o magmatismo, metamorfismo etc. Dessa forma, eles podem ser listados da seguinte maneira:

  • Depósitos Exógenos
    • Supérgeno
    • Sedimentar
  • Depósitos Endógenos
    • Magmático
    • Hidrotermal
    • Vulcano-sedimentar
    • Metamórfico

Supérgeno


O primeiro tipo de depósitos minerais é intrinsciamente relacionado com as alterações físico-químicas resultantes das ações intempéricas que um dado corpo rochoso (designado por rocha inalterada, parental ou rocha-mãe) encontra-se submetido.

Dessa forma, fatores como o comportamento geoquímico da rocha-mãe ao intemperismo, a sua composição mineralógica, clima, relevo, vegetação e drenagem irão se complementar, afim de possivelmente resultar em um depósito mineral supérgeno. 

Além disso, os depósitos supérgenos são facilmente encontrados por serem gerados no manto de intemperismo, próximos à superfície. Por isso, grande parte desses depósitos hoje conhecidos são relativamente jovens, datando do pós-mesozoico, ocorrendo geralmente em regiões onde os processos intempéricos são mais intensos, ou seja, na zona intertropical, como no Brasil, por exemplo.

Um exemplo bem conhecido dos depósitos supérgenos é o alumínio presente em depósitos lateríticos de bauxita. Além deste, são conhecidos também depósitos supérgenos de manganês, níquel, fosfatos, urânio, caolim, areia quartzosa e outros.

Bauxita. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/obtencao-aluminio-por-meio-eletrolise.htm.

Depósitos Sedimentares


Existem dois grandes grupos de depósitos sedimentares: detríticos (também conhecidos como depósitos de placer) e os químicos. Assim como na formação das rochas sedimentares, esses depósitos são originados através do transporte e da deposição mecânica (depósitos detríticos) ou da precipitação química (depósitos químicos) de substâncias úteis em diversos ambientes deposicionais, como praias, planícies aluvionares, deltas, lagos, plataformas continentais e etc. Dessa forma, além da classificação detrítica e química, é possível classificar os depósitos sedimentares de acordo com o seu ambiente deposicional: lagunares, deltáicos, marinhos, aluvionares etc.

Os depósitos sedimentares constituem um grupo economicamente muito relevante pois abrigam diversificado número de substâncias que incluem ferro, manganês, metais básicos, rochas carbonáticas, evaporitos, ouro, fosfato, gipsita, cassiterita e outros. Além desses, podem ser incluídos os combustíveis fósseis, como o petróleo, carvão e gás natural, os quais são igualmente gerados em ambientes sedimentares.

Explotação de petróleo.

Quer saber mais sobre o Petróleo? Leia o artigo "Geologia do Petróleo - Formação e Exploração no Brasil".

Depósitos Magmáticos


Os depósitos magmáticos são originados pela cristalização de magmas, e podem ser classificados de acordo com a concomitância entre eles e as fases de cristalização da câmara magmática na qual estão incluídos. Caso sejam formados concomitantemente com a fase principal da cristalização, são denominados de ortomagmáticos ou sin-magmáticos. Estes depósitos geralmente encontram-se hospedados em rochas ricas em olivina e piroxênio, como no dunito, peridotito e gabro. Já os depósitos formados na fase final da cristalização são conhecidos como depósitos tardi e pós-magmáticos, ocorrendo frequentemente em rochas enriquecidas em quartzo e feldspatos, como o granito e granodiorito.
Amostra de Dunito. Fonte: Pikarl at de.wikipedia - Transfered from de.wikipedia(Original text : Aufnahme aus der geologischen Lehrsammlung des geologischen Instituts der Universität Tübingen), CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3309539.

O mecânismo responsável pela formação do depósitos magmáticos, seja orto ou pós-magmático, é a segregação magmática, que pode ser definida como um processo de concentração dos constituintes de um magma através da variação da temperatura em uma dada câmara magmática, resultando na alteração do grau de solubilidade de tais constituintes, que por sua vez podem se segregar como minerais (como a cromita) ou como fases ainda fundidas, porém imiscíveis (como os sulfetos de ferro e níquel).

Instrusão de Bushveld, depósitos de Cromita. Foto por Jackie Gauntlett.

Quer saber mais? Leia o artigo "A intrusão de Bushveld e os depósitos de segregação magmática", do Sobre Geologia.

As mineralizações ortomagmáticas estão distribuídas ao longo da própria rocha hspedeira, assemelhando-se a ela em sua textura e estrutura, mas com teores muito mais elevados. Os depósitos mais importantes atualmente conhecidos são os seguintes:
  • Rochas Básicas e Ultrabásicas: cromita, metais do grupo da platina, níquel, cobalto;
  • Rochas alcalinas: elementos de terras raras, zircônio, urânio;
  • Carbonatitos: fosfato, nióbio, elementos de terras raras, barita;
  • Rochas Granitoides: estanho e wolframito.
Já as mineralizações tardi a pós-magmáticas são encontadas geralmente nas regiões apicais da câmara magmática ou nas rochas encaixantes próximas, devido às condições de pressão e temperatura na qual estão submetidas, provocando esse processo migratório. Devido a essa movimentação, há uma grande diversificação mineralógicas nesses depósitos, variando entre metais raros, flurita, mica, feldspato, quartzo, sulfetos e sulfossais de vários metais e, praticamente, todas as "pedras preciosas".

Depósitos Hidrotermais


Os depósitos hidrotermais são produzidos pelas soluções hidrotermais, que são soluções aquosas aquecidas (geralmente, acima de 50 ºC), tendo por característica principal a composição química complexa, devido ao alto número de substâncias dissolvidas, constituindo o tipo mais comum de mineralização que ocorre na crosta e abarcando quase todos os elementos químicos de ocorrência natural.

As soluções hidrotermais podem ocorrer em diversos sistemas geológicos, tal como magmáticos, metamóficos, sedimentar, dentre outros. A partir disso, mediante a percolação (passagem de um fluido por canais, poros, estruturas) da solução em tais ambientes, a água pode aquecer gradativamente e adquirir outras substâncias à solução, resultando em um fluido mineralizador. A deposição de tais substâncias e a geração do minério se darão através da combinação de diversos fatores, tais como o resfriamento e queda de pressão da solução, reações com as rochas percoladas, variaçaõ de pH, Eh etc.

Morfologicamente, esses depósitos apresentam-se em veios ou filões, preenchendo fraturas ou falhas, formando corpos de minério tabulares ou ainda depósitos disseminados. Geralmente ocorrem em cinturões orogênicos, onde a combinação de feições estruturais (falhas, fraturas, brechas, foliações) com o aquecimento dos fluidos resultam em um sistema de circulação propício para a formação desses depósitos, por isso são frequentemente encontrados com um controle estrutural evidente.

Tais depósitos representam uma das mais importantes fontes comerciais de metais, geralmente em forma de sulfetos, como os de ferro (pirita), zinco (esfalerita), cobre (calcopirita), chumbo (galena), prata (argentita), mercúrio (cinábrio) e arsênio (realgar, arsenopirita).

Amostra de Arsenopirita. Fonte: https://geology.com/minerals/arsenopyrite.shtml.


Depósitos Vulcano-Sedimentar

Os depósitos vulcano-sedimentares são resultantes da interação entre atividades vulcânicas e processos sedimentares, ocorrendo por meio de fluidos e exalações que atingem o assoalho do ambiente deposicional. Esse tipo de interação é comumente encontrada nos sistemas de riftes de dorsais meso-oceânicas, por exemplo, onde o ambiente de deposição marinha é influenciado pela pluma magmática ali existente. 

Animação explicativa da Dorsal Meso-Oceânica.

Após a infiltração da água no assoalho oceânico, ela é aquecida pelo magma ali presente, fazendo-a retornar à superfície através de um movimento conveccional. Durante essa circulação, a solução adquire novos elementos químicos, semelhantemente ao processo de formação dos depósitos hidrotermais, resultando no enriquecimento da solução.

As mineralizações vulcano-sedimentares não são apenas encontradas nas atuais bordas de placas divergentes, mas algumas são conhecidas do éon Arqueno. Suas ocorrências mais importantes são os de metais de base (cobre, zinco, chumbo), níquel e ouro, representando uma importante parcela mundial de tais bens.

Quer saber mais? Dica de leitura externa: "Feições de Interação Vulcano-Sedimentares: Exemplos na Bacia do Paraná (RS)" (RIOS et al.)

Depósitos Metamórficos

Os depósitos metamórficos mais conhecidos são oriundos da recristalização de rochas pré-existentes por meio da variação da pressão e temperatura, configurando um processo de metamorfização. Dentre as diversas transformações decorrentes desse processo, o aumento da granulação e cristalinidade das fases minerais iniciais geralmente resulta em um minério com uma melhor qualidade de utilização em relação ao seu protólito. 

Dois grandes minérios muito utilizados são provenientes de depósitos metaórficos: o mármore (correpondente metamórifico do calcário) e a grafita (correspondente metamórfico de sedimentos carbonosos). 

Amostra de Grafita. Fonte: Rob Lavinsky, iRocks.com – CC-BY-SA-3.0, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=10164225.

Entretanto, existem outros tipos de depósitos metamórficos que não são diretamente relacionados aos processos de recristalização. Isso ocorre quando os fluidos metamórficos que são gerados pelo aumento de pressão e temperatura podem conter determinadas substâncias passíveis de se precipitarem  durante a percolação do fluido nas rochas encaixantes, devido às alterações físicas, químicas, geomecânicas ou a reações com a própria rocha encaixante. Assim, a deposição de tais depósitos "ocorre durante a percolação dos fluidos através das rochas mais permeáveis ou de estruturas tectônicas favoráveis, como foliações, planos de falha ou zonas de cisalhamento, conduzindo à formação de depósitos hidrotermais de filiação metamórfica." (BETTENCOURT et al., 2009)


Referências


TEIXEIRA; FAIRCHILD; TOLEDO; TAIOLI. Decifrando a Terra, 2ª Ed. 2009. Companhia Editora Nacional, São Paulo.

Glossário Geológico, CPRM. Disponível em: <http://sigep.cprm.gov.br/glossario/> Acessado em 01/03/2019.

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