Sobre Geologia

01/01/2022

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09/06/2019

Rios (parte 2): Leques Aluviais e Deltaicos
16:150 Comments
Na belíssima canção junina “Riacho do Navio”, o pernambucano Luiz Gonzaga canta “E o Rio São Francisco vai bater no meio do mar”. Podemos conectar esse trecho a geologia já que, os rios que desembocam em oceanos, como é o caso do Rio São Francisco, formam um depósito sedimentar muito característico chamado delta.
Dando continuidade à série de artigos sobre rios iniciada neste artigo, que aborda os aspectos classificatórios dos rios, o texto de hoje, e o segundo dessa série, abordará as definições de leque aluvial e leque deltaico assim como sua formação e os processos relacionados a eles.
Delta do Rio São Francisco. Fonte: Antonio Marin Jr.
Disponível em: https://www.flickr.com/photos/antonio_marin/13768862795 
Introdução
Os chamados processos aluviais envolvem a erosão, transporte e sedimentação quando estão relacionados a águas fluviais. Eles são responsáveis por formar um grupo de depósitos sedimentares específico chamados de depósitos aluviais. Dois dos mais importantes depósitos aluviais são os leques aluviais e os leques deltaicos, que serão detalhados ao longo desse texto.
Leques aluviais
Leque aluvial na província de XinJiang, China.
Fonte:  NASA / GSFC / METI / ERSDAC /
 JAROS / US-Japan ASTER Science Team
Disponível em: 
http://www.sci-news.com/space/
titans-methane-downpours-04519.html

Leques aluviais podem ser definidos como um depósito aluvial que se encontra no sopé de montanhas com o formato triangular, sua superfície tem um formato côncavo para cima que liga uma parte mais elevada, e íngreme, com um vale mais baixo, e plano.
Esse tipo de depósito ocorre quando um rio que se encontra em um estreito vale montanhoso tem que se adaptar rapidamente a um vale aberto e plano em altitudes mais baixas, por isso está frequentemente associado a íngremes escarpas de falha. Com o alargamento do canal assim como a diminuição da declividade da vertente, a velocidade do rio diminui, o que explica as características dos sedimentos encontrados, que são mais grossos (de matacão a areia) nas partes superiores, que são mais íngremes, logo, a corrente do rio tem mais força para transportar sedimentos maiores, e mais finos (de areia fina a argila) nas partes inferiores, onde a corrente não tem força para transportar sedimentos grandes.
Quando existem inúmeros leques aluviais em um sopé de uma montanha eles podem acabar se unindo, fazendo com que os limites que separavam cada leque não sejam mais visíveis, tornando impossível separar esse grupo de leques em leques individuais. O nome dado a essa situação específica é de leques coalescentes.
Representação gráfica de um leque aluvial.
Fonte: https://sites.google.com/site/supercoolgeology/fluvial/Alluvial-Fan
(Imagem alterada).

Leques deltaicos
Delta de Okavango, Botsuana. Fonte: Justin Hall.
Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/Delta_del_Okavango#/
media/Archivo:A_view_down_into_the_Okavango_Delta.jpg
O termo delta foi criado por Heráclito, no século V a. C, ao observar os canais distributários do rio Nilo e sua semelhança com o formato da letra grega “Δ”, mas esse termo só foi incluído de fato na literatura geológica no início do século XIX por Lyell (Le Blanc, 1975).
Todos os rios tem um nível de base, que significa a menor elevação ao qual um rio pode erodir seu próprio canal. Em canais onde o nível de base é o oceano são formados deltas, que podem ser definidos como protuberâncias na linha de costa onde os rios deságuam em oceanos, mares ou lagos construídos por sedimentos carregados pelo próprio rio. Logo, basicamente, podemos definir leques deltaicos como leques aluviais que terminam em um corpo d’água, como um lago ou o oceano.
Os deltas são formados quando um rio adentra um oceano ou um lago e a força da sua corrente diminui gradualmente, até deixar de existir. Consequentemente, a capacidade de carregar sedimentos que um rio possui diminui cada vez mais, fazendo com que à medida que o rio adentra mais o oceano, mais finos os sedimentos que ele tem capacidade de carregar.
Os sedimentos que o rio não tem mais como transportar são depositados, então os sedimentos maiores (principalmente areia) são depositados logo na sua foz, em seguida, um pouco mais afastado, as areias mais finas e silte, por último e mais afastado de todos, é depositada a argila. Com esses materiais depositados no assoalho oceânico ou no fundo de um lago, acaba se formando uma plataforma deposicional, chamada delta. Essa plataforma se divide em três camadas de acordo com a granulometria sendo elas a camada de topo (composta de areia), a camada frontal (areia fina e silte) e camada basal (argila).
Morfologia dos Deltas
Segundo Gallowey, a morfologia deltaica pode ser descrita com base nas interações entre o volume de sedimentos fluviais que adentram a bacia e os processos que ocorrem na bacia, sendo os principais as marés e ondas. Dessa forma, é possível classificar um delta de três formas diferentes: deltas dominados por processos fluviais, por ondas e por marés.
Os deltas dominados por processos fluviais se apresentam similares à forma como o rio deposita seus sedimentos, ou seja, as partes superiores apresentaram sedimentos de maior granulometria enquanto os das partes inferiores apresentam sedimentos de menor granulometria.
Delta dominado por processos fluviais, Rio Mississipi, Estados Unidos.
Fonte: Richard Alley.
Disponível em: http://www.zonacosteira.bio.ufba.br/deltas.html
Os sedimentos fluviais dos deltas dominados por ondas, devido à energia das ondas incidida sobre eles, são transportados transversalmente ao próprio rio, gerando depósitos paralelos à linha de costa como cordões litorâneos, pontais, barreiras e dunas (Wright e Coleman, 1972, 1973; Coleman e Wright, 1975; Galloway, 1975).
Delta dominado por ondas, Rio Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil.
Fonte: Dominguez. Disponível em: http://www.zonacosteira.bio.ufba.br/deltas.html
Os deltas de marés têm uma particularidade porque estão relacionados a regiões de manguezais e marismas. A influência da maré faz com que se formem ilhas longitudinais que dividem a desembocadura em diversos pequenos cursos de água, nesses pequenos cursos estão localizados os mangues.
Delta dominado por marés, delta do Ganges-Brahmaputra, região de Bengala
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Ganges_Delta#/media/File:Gangesdelta_klein.jpg
Conclusão
Os leques aluviais e os leques deltaicos são feições muito comuns e importantes no contexto geológico. Nesse artigo foram abordadas a sua formação e as principais morfologias. Este foi o segundo texto dessa série e outros temas serão tratados posteriormente. Mantenha-se informado pelo Facebook e Instagram do Sobre Geologia para não perder os próximos artigos dessa série!
Referências:
TEIXEIRA, Wilson; FAIRCHILD, Thomas Rich; TOLEDO, M. Cristina Motta de; TAIOLI, Fábio. Decifrando a Terra. 2aedição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
PRESS, Frank; SIEVER, Raymond; GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas H. Para Entender a Terra. 4aedição. Porto Alegre: Bookman, 2006.
GUIMARÃES, Junia Kacenelenbogen. Evolução do delta do rio São Francisco - estratigrafia do Quaternário e relações morfodinâmicas. 2017. 145 f. Tese de Doutorado – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2017. Disponível em: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/21481
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/
http://www.cesadufs.com.br/ORBI/public/uploadCatalago/15510816022012Geomorfologia_Fluvial_e_Hidrografia_aula_6.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3021514/mod_resource/content/1/Aula%209-%20Deltas.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3021490/mod_resource/content/2/Aula%205%20b%20-%20Leques%20aluviais.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4384482/mod_resource/content/1/Aula%204b%20estilos.pdf
http://www.zonacosteira.bio.ufba.br/deltas.html
https://www.scientiaplena.org.br/sp/article/view/2074/1118
Artigo escrito por Isabel Schulz e revisado por Maria Clara Ramos.
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02/06/2019

Geomorfologia eólica: dinâmica das dunas
20:330 Comments



Com uma área mais extensa que o Brasil, o Sahara é, sem dúvida, um dos lugares de mais antiga habitação e passagem de hominídeos. A densa floresta tropical, onde populações humanas viveram por muitas gerações, há cerca de 10 mil anos, finalizou seu caminho a se tornar o maior deserto fora dos polos. Terminava a última fase glacial, e a partir daí, processos totalmente diferentes governariam a paisagem da região. Nessa transformação, além das árvores e da fauna, o Nilo perdia protagonismo, entrava em voga a ação de outra força: O vento. As montanhas de areia geradas por processos eólicos, móveis ou estáticas, são chamadas de Dunas. E também, são o tema do artigo de hoje.

Dunas no Marrocos. Imagens de bancos de imagens
Introdução
Para entender a formação e comportamento dinâmico do ambiente de dunas, é preciso pensar a atuação do vento, seu agente deposicional, em seus diversos aspectos.
O vento, naturalmente, tem sua capacidade de transporte ligada à velocidade e constância com que atua. Não consegue, geralmente, transportar rochas inteiras, matacões ou seixos; transporta mais facilmente sedimentos finos e secos. Essa particularidade seleciona o tipo de sedimento que será percentualmente dominante nos depósitos eólicos,  e o clima preferencial. Os sedimentos de tais depósitos tendem a ser silicosos; regra à qual fazem exceção (Grotzinger, 2014) alguns depósitos com predominância de calcita (CaCO3) - e.g origem biogênica em ilhas no Pacífico - e outros de gipsita (CaSO4• 2H2O) - e.g. de origem evaporítica no Novo México. Seus ambientes são de clima semiárido a árido; com a exceção que conhecemos dos ambientes de anterior deposição lagunar, fluvio-deltaica ou praial, nos quais os sedimentos finos e secos abundem.

Fluxo de sedimento e saltação

Pode-se ressaltar a relação fluido-sedimento, que gera fenômenos como fluxo de sedimentos e saltação. O fluxo de sedimentos pré-selecionados por sobre a superfície trazem uma nova personagem a nossa trama: areação ou sandblasting; uma espécie de jateamento natural pela qual os grãos mais densos - não levados pelo vento - vão passar nesse ambiente. A abrasão é exponencialmente aumentada pela fricção incessante do fluxo, esculpindo-lhes de praxe uma feição mais arredondada, desenhos ondulatórios superficiais e uma aparência opaca e lisa. São ventifactos. Num local antropizado, até em praias, os cacos de garrafas de vidro se tornam quase inindentificáveis.
Ainda seguindo a tudo que se desdobra da incompetência de transporte pesado pelo vento, a erosão seletiva que forma os depósitos, pode deixar no local por onde passa a deflação.
Os sedimentos de maior granulometria deixados formam uma camada superficial plana - um pavimento - que retarda longamente a erosão pelo agente em escalas milenares.
Dunas do Istmo da Curlândia. Kaliningrado. Rússia. Imagens de bancos de imagens
O lugar para ver todas as feições que a ação das massas de ar podem ter é certamente o deserto. Lá é onde mais se desenvolvem as dunas, formas características e fugazes, facilmente identificáveis. São responsáveis pela movimentação turística em diversos pontos do globo, porém o ambiente em que se encontram se torna bastante inseguro à habitação em certo sentido; se móveis, as dunas pode soterrar pessoas e casas, obliterar caminhos e assorear rios; exigindo até mesmo políticas públicas relacionadas.
Elas têm mais uma peculiaridade. A energia para remover um grão por saltação no sentido da corrente é bem menor do que a necessária para mantê-lo no alto, no que seria um
fluxo. A saltação é, portanto, o processo mais ativo de erosão do vento; indicando-nos que a origem das areias de depósitos não pode ser muito afastada, o que pode resultar falso.
Depósitos quilométricos, desérticos, como o Sahara, contam com acepção de material ultramarino  e correntes de ar macroescalares.

Areia sobe e desce

Como já foi observado, as dunas nem sempre estão paradas. É de se supor, por sua origem que surjam móveis. Quanto à gênese das dunas pode ser considerada a interferência de um obstáculo; obstruindo, por consequência, bifurcando o caminho do vento e gerando uma área sem fluxo no ponto oposto ao que recebe o vento.
Mas a recém-formada segue em movimento na direção e sentido do vento - isso é especialmente notável se o vento tem uma direção preferencial ainda que com variação diária ou sazonal.
A parte da duna na qual o vento sopra diretamente chama-se barlavento, enquanto a face oposta recebe o nome de sotavento. Barlavento é menos inclinada que sotavento, gerando formatos assimétricos; e uma consequente migração de grãos da base de barlavento para sotavento.
À medida que mais areia se acumula na encosta do barlavento da duna, ela cresce em altura. A duna para de crescer quando a velocidade com que os vento traz os grãos de barlavento ao cume é a mesma com que os grãos deslizam para sotavento. Em ambientes propícios, as dunas podem alcançar muitos metros de altura .

A duna 7 na Namíbia chega a mais de 300 m de altura de pura areia.

As dunas avançam a partir do movimento de cada grão. Os grãos no barlavento são levados ao topo da duna pelo vento e depois de acumular a certo ponto são puxados pela gravidade em deslizamento de massa para a base de sotavento. Assim o corpo todo lentamente avança no sentido do vento, o que se evidencia quando os ventos têm direção constante ou preferencial.

Formato das dunas

Há um equilíbrio entre a altura da duna, a quantidade de sedimento disponível e a velocidade do vento. Esse mesmo equilíbrio gera variação nas formas de duna que, a propósito, são quatro:

Desenho esquemático: Dunas barcânicas - (Grotzinger, 2014)


As dunas barcânicas têm concavidade bem fechada, cujos braços (original horn: chifre) se voltam no sentido do vento. São produto de um depósito com pouca disponibilidade de areia - sendo, por vezes, encontradas sós ou bem espaçadas - e ventos unidirecionais. Não há quem passeie por Santo Amaro do Maranhão, lá nos lençóis maranhenses, em meio aos slacks - os vales de dunas - e topos da paisagem incomensurável; e não perceba que há algo de específico na forma em que elas se organizam.
Dunas em Santo Amaro do Maranhão
https://bianchini.blog/category/santo-amaro-do-maranhao/
 Esse tipo de duna, no Brasil setentrional está associada a vegetação transicional de cocais, às vezes a vegetação de cerrado, agreste ou halófitas e psamófitas. Assim não raro são estacionárias pela ação da vegetação que ajudam a desenvolver solos e fincam suas raízes gerando coesão e umidade. Entre as quais a mais alta do mundo a Cerro Blanco em Nazca, Peru, que atinge 1176 m da base ao topo - com uma base rochosa, no entanto.

Desenho esquemático: Dunas blowout - (Grotzinger, 2014)

As dunas blowout têm os braços voltados no sentido oposto ao vento, evidenciando um processo de escavação, lógica reversa a das dunas barcânicas. É o caso das dunas que predominam no Estado do Rio Grande do Norte, também ocorrem  Rio Grande do Sul, ambas associadas a bacias de deflação pleistocênicas. (Portz, 2014).


Desenho esquemático: Dunas transversais- (Grotzinger, 2014)

As dunas transversais têm seus cumes orientados perperndicularmente à direção do vento. Elas se formam em locais com alta disponibilidade de grãos e vegetação rarefeita, relacionadas também a fortes ventos continentais.
Desenho esquemático: Dunas longitudinais - (Grotzinger, 2014)

As dunas longitudinais têm orientação paralela ao vento, alcançam grandes alturas e se extendem por muitos quilômetros. Associam-se a um substrato em pavimento e ventos unidirecionais.

Paleodunas

Como se sabe, as dunas compõem sistemas e se interferem frequentemente, isso é responsável pela formação da estratificação cruzada em que os estratos apresentam diferentes atitudes apesar de estarem sobrepostos. Essa feição, informa-nos o comportamento do vento no ambiente; ainda mais, se presente numa rocha, traz informações sobre paleoambientes. As rochas recentes, outrora dunas, são chamadas de paleodunas.
As paleodunas em ambientes hoje improváveis como nas planícies fluviais umidíssimas do Rio Negro (Capurucho, 2012), denotam, por exemplo, uma variação recente de clima. Na transição Pleistoceno-Holoceno (~11.700 AP) o Sahara por exemplo, avançara sobre extenso território, há depósitos eólicos difusos na Ásia leste. A presença dessas geomorfofácies em ambientes tão distoantes indica uma variação climática ao longo do tempo, um período de pouca umidade, relacionado ao último período glacial.

Marte
Com o mesmo princípio usado para interpretar ambientes temporalmente diversos, podemos interpretar ambientes espacialmente diversos. Esse é o caso de Marte, a 54.6 milhões de quilômetros da Terra, mas dividindo características símiles que permite aos especialistas extrapolar as análises e fotointerpretar, a partir de imagens de satélite e dos rovers que por ali já conseguimos fazer pasar.
Marte tem um clima hoje sem água no estado líquido na superfície, tem como agentes exógenos proeminentes o gelo e o vento.


Dunas barcânicas em Marte
Os processos eólicos dominam as feições geomorfológicas do Planeta Vermelho, e isso inclui a cor de sua atmosfera, rosada pela dimensão do processo de fluxo de sedimentos gerado pelos ventos de tempestade que chegam a 108 km/h com variação sazonal.

duna barcânica azul-turquesa na Cratera de Lyot, Marte

fonte: https://www.nasa.gov/image-feature/jpl/once-in-a-blue-dune

As dunas têm composição geral hematítica, basáltica. Existem dunas azul-turquesa e castanho-alaranjadas, estacionárias ou móveis de diversos formatos, algumas estacionadas por glaciações sazonais ou perenes. Paleodunas com estratificação cruzada também foram identificadas, permitindo-nos conhecer um pouco da história geológica do planeta.

Conclusão
Neste artigo, fizemos uma viagem perseguindo a atuação eólica para entender sua natureza e força. Ela nos levou desde as dunas das praias do nordeste brasileiro e da amazônia, à Tunísia e até Marte. E ela pode nos levar muito mais além, possa nossa mente e tecnologia compreender e catalogar realidade longíquas.


Estranhas dunas em Titã, lua de Saturno.
fonte: Joyce Morse em https://br.pinterest.com/pin/252060910369108638/?lp=true

Escrito por Felipe Limoeiro

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Deserto_do_Saara
https://www.apolo11.com/curiosidades.php?posic=dat_20061011-120632.inc
http://www.cpgg.ufba.br/lec/dunas.htm
TEIXEIRA, Wilson. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. 623 p. ISBN 9788504014396.
FILHO A.C, SCHARTZ D., TATUMI S.H., ROSIQUE T. Amazonian Paleodunes Provide Evidence for Drier Climate Phases during the Late Pleistocene-Holocene. Quaternary Research, 2002, pgs. 205-209.
TOMAZELLI L. O Regime dos Ventos e a Taxa de Migração das Dunas Eólicas Costeiras do Rio Grande do Sul, Brasil. UFRJ, Pesquisas em Geociências.1993.
SANTOS, J. H. S. Modelo evolutivo do campo de dunas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. X Congresso Brasileiro da ABEQUA, MA/Brasil. 2005.
GROTZINGER, John. JORDAN, Thomas H. Understanding Earth. 7th. ed. New York: W. H. Freeman and Company, 2014, 532-540 p. ISBN: 9781464138744
MENDONÇA, Bruno Araújo Furtado de - Campinaranas Amazônicas: pedogênese e relação solo-vegetação. Universidade Federal de Viçosa, MG;Brasil. 2011.
PORTZ, L.; ROCKETT, G. C.; FRANCHINI, R. .A. L.; MANZOLLI, R. P.; GRUBER, N. L. S. Gestão de dunas costeiras: o uso de sistema de informações geográficas (SIG) na implantação de planos de gestão no litoral do Rio Grande do Sul, Brasil. RGCI vol.14 no.3: Lisboa/Portugal. 2014.
CAPURUCHO, João Marcos Guimarães. Filogeografia e fenética da paisagem para compreender a evolução de Xenopipo Atronitens (Aves; Pipridae), uma espécie característica das Campinas Amazônicas. Manaus/Brasil. 2012.
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26/05/2019

Minerais metamórficos de alumínio
16:390 Comments
A recristalização mineral ocorre naturalmente nos processos metamórficos, pois envolve temperaturas e pressões que desfazem as ligações químicas originais e formam novas, podendo resultar no mesmo mineral de antes (caso dos quartzitos, no qual o quartzo se recristaliza novamente em quartzo) ou não.

Introdução

Percebe-se que os blastos (minerais originados durante o metamorfismo, frutos da recristalização) de rochas cujos protólitos são rochas pelíticas (sedimentares de granulação fina) mais comuns são aqueles nos quais o alumínio é o elemento predominante em sua composição, pois o que normalmente as compõe são argilo minerais, ricos no elemento em questão. Eles (os blastos) serão o tema deste artigo

O primeiro a ser citado aqui é a sericita – KAl2(AlSi3O10)(OH)2 –, mica polimorfa da muscovita. Convencionou-se que sua presença determina o fim do processo diagenético (de formação de rochas sedimentares) e inicia o metamórfico, pois já caracteriza recristalização, apesar da temperatura e da pressão estarem baixas em comparação a outros processos geológicos. Contudo, tem como principal evento de formação o metamorfismo de soterramento, no qual a pressão litostática, ou seja, a pressão das rochas e sedimentos sobrepostos, é o fator determinante. Sua temperatura e pressão de formação são relativamente baixos, classificando-se como incipientes. Sua presença é comum em meta folhelhos e ardósias. Com a intensificação do processo, como na exposição destas rochas ao metamorfismo regional, ocorre a formação de micas de maior temperatura e pressão, como biotita – K(Mg,Fe)3(AlSi3O10)(OH)– e flogopita – KMg3(AlSi3O10)(OH)2, minerais que caracterizam os mica xistos.v   
Resultado de imagem para biotita
Amostra da mica biotita
Fonte: https://twitter.com/hashtag/biotita

Em seguida temos os polimorfos cianitasillimanita andaluzita – AlAlO(SiO4). A cianita é um geobarômetro, o que significa que é um mineral de pressão, ou seja, nos permite ter certa noção do intervalo de pressão possível a qual a rocha foi submetida. Sua gênese se deve ao metamorfismo regional/dinâmico. A sillimanita é um geotermômetro, pois nos permite supor um intervalo de temperatura na qual a rocha pode ter sido submetida, sendo gerada pelo metamorfismo de contato e está comumente associada ao quartzito. Por fim, a andaluzita depende mais de uma união dos fatores temperatura e pressão até um determinado limite. Assim como a cianita, a andaluzita se faz presente em xistos, sendo muitas vezes o principal mineral dos mesmos. As relações de pressão e temperatura estão representadas no gráfico a seguir.
Gráfico das relações T e P dos minerais de Al
Curiosidade: A cianita é um mineral que possui uma particularidade em suas propriedades – duas durezas, 5 na direção paralela ao comprimento de seus cristais e 7 na direção perpendicular à mesma.

Resultado de imagem para granada no xisto
Granoblasto de piropo no biotita xisto
Fonte: https://geomuseu.ist.utl.pt/MINGEO%20LEC2006LET/Imagens%20Mineralogia/Silicatos/
Por fim, vêm as granada (cuja fórmula geral é representada por A3B2(SiO4)3, sendo que A pode ser o Ca, Mg, Fe ou Mn e B o Al, Fe, Ti ou Cr) que são subdivididas em 6 espécies (piropo, almandina, espessartita, grossulária, andradita, uvarovita). Seu nome significa grão, em alusão ao seu hábito raramente comprido. Sua gênese se deve à exposição a muita pressão e calor do alumínio, como no metamorfismo regional ou no dinâmico. Comumente presente em xistos, gnaisses, milonitos e migmatitos como porfiroblastos (pois o tamanho de seus cristais costuma se destacar da matriz).

Conclusão

Os eventos geológicos, em sua enorme variedade, proporcionam muitas pistas de seus acontecimentos. A chave do mistério sobre o passado de uma determinada área pode estar em um mineral, evidenciando que o local já teve atividade vulcânica, uma grande bacia sedimentar hoje quase que totalmente erodida, esteve numa zona de cisalhamento de placas ou em contato com o manto superior sem ter sido fundido.

Referências

Manual de Mineralogia - Dana & Hulrbot
Introdução à petrologia metamórfica - Bruce W. D. Yardley

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