Zonas de Cisalhamento e Indicadores Cinemáticos - Sobre Geologia

28/04/2019

Zonas de Cisalhamento e Indicadores Cinemáticos

Importante elemento estrutural de rochas metamórficas, as zonas de cisalhamento (ZC) nos permitem uma análise sucinta dos principais tensores agentes sobre determinado volume de rocha, informações as quais possibilitam a construção das conhecidas elipses deformacionais.
Zonas de cisalhamento são áreas submetidas à deformação, sejam elas de natureza dúctil ou rúptil, delimitadas por paredes dispostas tabularmente onde a deformação é significativamente menos expressiva, ou inexistente,  em relação ao centro da zona.
Ocorrem em ambientes com disposição ao tectonismo, principalmente quanto ao movimento lateral relativo entre blocos, conhecido como transcorrência o que gera a dita tensão cisalhante. Esta pode ocorrer associada tanto a eventos de natureza compressiva quanto aos de natureza distensiva.
Em zonas do tipo rúptil é possível observar a cataclase e brechamento (quebra) da rocha e minerais. A intensa cominuição e moagem da rocha e dos minerais são característicos deste domínio.
Em zonas do tipo dúctil é possível observar dobras, sejam elas dobras de arrasto, dobras parasíticas, e uma importante feição é o estiramento mineral, todas indicam o comportamento plástico da rocha quando submetida ao esforço.

Zona de cisalhamento dúctil numa rocha milonitizada 

As rochas metamórficas são classificadas quanto à deformação rúptil e dúctil pela tabela de Sibson (1977).


Este movimento relativo entre blocos registram diferentes deformações, as quais são utilizadas para que possamos entender a natureza da rocha com uma leitura do seu movimento, sua direção, e, por vezes, seu sentido. Podem ser indicados pelo que chamamos de indicadores cinemáticos os quais são possíveis listar:

Lineações:
-Slickensides e Slickenlines
Se tratam de superfícies polidas ou alisadas que apresentam, em grande maioria, estrias de atrito também chamadas slickenlines, são formadas pelo atrito quando ocorre o deslizamento de um bloco com relação a outro, feições não-penetrativas e são expressivamente registrados em material argiloso devido seu comportamento plástico.

-Estiramento Mineral
Demarcam deformações dúcteis e são estruturas penetrativas, os minerais se direcionam seguindo a ordem preferencial da deformação. Estiramento de minerais anidros indicam metamorfismo de alto grau, no caso de estiramento apenas de minerais hidratados relativamente menos intenso. São a principal feição linear para classificar o processo denominado milonitização.

-Foliação:
A já citada milonitização é uma foliação (feição planar) que demarca comportamento dúctil, a qual há um fluxo de minerais estirados e orientados segundo a ordem da tensão a qual a rocha foi submetida, assim como as condições de temperatura e pressão a que foram submetidas.

-Dobras de arrasto
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Expressam deformação dúctil, a qual ocorrem o encurvamento de feições planares tais como foliação, plano da camada, etc, como reação ao atrito gerado pela tensão cisalhante, o movimento relativo entre blocos já citado.

-Porfiroclastos do tipo augen
Os porfiroclastos são marcadores especiais pois não só determinam a direção do movimento quando relacionada á foliação (porfiroclastos são contornados pela foliação e possuem formato alongado em suas extremidades - denominado cauda, que possui mesma composição do núcleo, gerado pela recristalização do mineral - nos remetendo ao formato de um olho, neste caso são chamados augen.
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São classificados como:
Tipo Sigma (σ);
Tipo Delta (δ);
Tipo Phi (φ); neste caso o augen é simétrico, impossibilitando o sentido do movimento que o gerou (dextral ou sinistral).
Resultado de imagem para augen delta phi sigma

-Imbricamento mineral
O imbricamento é um indicador cinemático tanto de direção quando de sentido, ou seja, implica a rotação de minerais antes dispostos de forma alinhada e enfileirados, e que agora se mostram rotacionados, numa sobreposição sucessiva, como uma queda em uma posição que nos remete ao "efeito dominó".

-Microfraturamento de cristais
As falhas e fraturas podem se apresentadas em diferentes ordens de grandeza, podem se apresentar em grandes escalas, como macroestruturas, onde recebem tais nomes, mas pode ocorrer em ordens menores e recebem o nome de microfraturamento. Neste assim como na análise macroestrutural somos guiados pelo plano de falha, o qual o mergulho do plano nos indica o sentido e direção do movimento.

Escrito por Letícia Brito

Referências:
http://www.neotectonica.ufpr.br/aula-geologia/aula4.pdf



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