A separação Brasil-África: dinâmica terrestre e a ruptura do Gondwana - Sobre Geologia

04/08/2019

A separação Brasil-África: dinâmica terrestre e a ruptura do Gondwana

Quando estudamos o mapa-mundi em geografia, é comum entender o planeta terra como um gigantesco quebra-cabeças, onde os continentes executam o papel de das peças. E, neste jogo, podemos perceber como a América do Sul se encaixa com o Oeste Africano. A Geologia nos permite entender como se deu o processo que separou os dois continentes, a partir de uma densa investigação que nos leva a uma compreensão da dinâmica terrestre e da história do nosso planeta.

Ao introduzir dinâmica interna terrestre, é importante falar do Ciclo de Wilson e a Teoria da Deriva Continental, a fim de entender que o nosso planeta é vivo, e que as denominadas placas tectônicas estão em movimento, completando as fases do Ciclo e expressando sua constante renovação. O planeta terra é diferenciado e contém uma estrutura dita em “camadas”, a qual temos núcleo (interno e externo) — endosfera — ; manto inferior — mesosfera — ; manto superior — astenosfera — ; e a litosfera, sendo esta é a base do nosso conhecimento em estrutura terrestre. Mas será só isso? Como geocientistas, entender o planeta como ele é, como ele funciona e como nasceu, são questões que se tornam extremamente importantes para todo o nosso trabalho, pois a Terra é nosso objeto de estudo.



As Teorias-base para o entendimento da Dinâmica Interna Terrestre

A denominada Teoria da Deriva Continental foi formulada em 1913 pelo geólogo alemão Alfred Wegener, e seu postulado parte exatamente do ponto já mencionado anteriormente: os continentes têm formatos que nos possibilitam visualizar um encaixe prévio. Assim, foi o primeiro a citar o "primeiro" e mais conhecido supercontinente: Pangéia. Segundo Wegener, o Pangeia teria se rompido em dois grandes blocos continentais: Laurásia ao norte, e Gondwana ao sul. Para defender sua teoria, Wegener buscou comprovar que as rochas presentes nas bordas dos continentes eram compatíveis em idades e composição. Com isso, foi realizado o estudo de fósseis das áreas e a análise das formações rochosas.
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A teoria foi aceita pela comunidade científica e se tornou base para a formulação da Teoria da Tectônica de Placas em 1950, e agrega e abrange o conhecimento de diversos geocientistas.
Nesta década, estudos geofísicos são realizados de modo em que são descobertas evidências magnéticas e a topografia submarina da área, despertando o interesse sobre as forças geradas pelas correntes de convecção do manto, responsável por movimentar a litosfera.
 A partir do compilado de conhecimento prévio, a teoria da Tectônica de Placas diz que a crosta é constituída de placas que flutuam sobre o manto, esta abrange o entendimento sobre as falhas, as junções entre as placas, as dorsais meso oceânicas, assim como sobre os tremores de terra e abalos sísmicos que se relacionam como movimentação e atrito entre placas. Os continentes se encontram sob essas placas que flutuam e derivam o processo, por isso a expressão “ Deriva Continental”, para mais informações, leia nosso artigo: Deriva Continental.


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Já temos um artigo sobre o Ciclo de Wilson (Ciclo de Wilson), mas para entender rapidamente o processo, podemos resumir que o ciclo se trata de um processo constante de abertura (formação), desenvolvimento e  fechamento de Oceanos, é uma teoria que surge em 1960 e leva o nome do cientista que a formulou. Esta se relaciona diretamente com as teorias que a precede, as Teorias da Deriva continental e Tectônica de Placas, respectivamente.


O Gondwana
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Nesta dança constante dos continentes, atualmente entendemos o que o planeta já passou por fases em que se formaram supercontinentes. Cientistas denominaram Gondwana o supercontinente que continha a América do Sul, África, Austrália, Índia, península Arábica e Antártida, há cerca de meio bilhão de anos atrás. A investigação se deu com um grupo de investigadores que trabalharam numa intensa busca para encontrar em ambos os continentes o que seriam as peças que seriam os encaixes desse grande quebra-cabeças, principalmente de cunho geológico. Essas “peças” incluem análises das porções rochosas, análises dos campos magnéticos e gravitacionais das áreas, pois cada região do planeta possui sua própria “assinatura”. Como a massa terrestre não está igualmente distribuída pelo planeta, determinadas rochas refletem tal característica devido à sua composição, e esta é usada para calcular o campo gravitacional terrestre. Com estudos geofísicos da área, cientistas puderam analisar através de cálculos o que havia em subsolo, possibilitando assim uma comparação entre as rochas existentes nos locais de estudos.

A formação do Gondwana teria se iniciado no período final do Neoproterozoico, quando este agregou massa e blocos provenientes da fragmentação do supercontinente que o antecedeu: Rodínia. Sua formação está inclusa no último estágio de colagens continentais denominado Evento Brasiliano/ Pan-Africano (600 Ma), evento que gerou a abertura do Oceano Atlântico Sul.
O Gondwana teria permanecido em quietude tectônica até o Neojurássico, quando surgem os primeiros esforços trativos até seu rifteamento no Juro-Cretáceo. A denominada fragmentação do Gondwana Ocidental (América do Sul e África) se inicia no Neotriássico, por meio de uma reativação predominantemente distensiva, a qual se torna o pontapé inicial para os sistemas de riftes, que bordejam tanto a margem do Atlântico Sul, como continente adentro. O rifteamento deixa "cicatrizes" na crosta terrestre, e estas podem ser falhas, fraturas e a abertura de bacias, incluindo as principais Bacias Sedimentares Brasileiras, as Bacias Sedimentares Cretáceas. O período de separação Brasil-África, além das já citadas estruturas, deixou como o maior registro desse evento uma série de derrames vulcânicos paleocênicos/eocênicos, como basaltos toleíticos que acabaram por formar o Banco de Abrolhos e o Derrame Basáltico da Bacia do Paraná (um dos maiores do mundo).

Conclusão:

A separação do Brasil e da África se resume em um processo longo, que se divide em diversas fases, e os registros deixados ao longo do processo são encontrados e interpretados com o fim de gerar um entendimento geral sobre a temática. Com isso, são exigidos conhecimentos acerca da dinâmica interna terrestre e suas teorias-base. O Gondwana foi o supercontinente que agregou diversos países, ou continentes que conhecemos hoje com blocos individualizados, e o evento que o desagregou e sua natureza, são de extrema importância para o entendimento do processo como um todo.


Referências:
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/gondwana.htm
FREITAS, Anderson Ferreira Damasceno de.et al, BACIA DE SANTOS:
Estado da arte. 2006. 114f. Tese – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
CRUZ, Liliane Rabello, et al, Regime distensional: Evolução tectônica e estruturas
associadas nas bacias de Pelotas, Santos, Campos e
Espírito. 2007. 112f. Monografia - Universidade do Estado do Rio de Janeiro  Rio de Janeiro, 2007. 

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